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Recomendações Pós-Transplante da Sociedade Americana de Transplantação - Cuidados em viagem

18 de janeiro de 2008

Com este post chegamos ao fim da tradução da brochura da Sociedade Americana de Transplantação. Foram abordados os seguintes temas:

Cuidados em Viagem

Viajar para países sub-desenvolvidos apresenta um risco substancial para pessoas transplantadas, especialmente durante períodos de maior imunossupressão. Assim, o paciente deverá discutir os seus planos de viagem com a equipa médica cerca de 2 meses antes da viagem propriamente dita.

Em países sub-desenvolvidos, os transplantados deverão evitar consumir:
  • água da torneira, gelo e bebidas confeccionadas com água da torneira;
  • sumos naturais de fruta;
  • leite e outros lacticínios não pasteurizados;
  • frutas e vegetais crus;
  • carne, peixe e marisco cru ou mal cozinhado;
  • ovos crus ou mal cozinhados.

Deverão, então:

  • consumir frutas e vegetais que se possam descascar;
  • consumir alimentos quentes;
  • beber bebidas engarrafadas ou enlatadas;
  • ferver a água da torneira ou desinfectá-la com iodo ou filtros portáteis.

A equipa médica poderá prescrever um antibiótico para ser levado e tomado em caso de necessidade.

Outras recomendações:

  • a profilaxia da malária deverá ser prescrita, tendo em conta diversos factores específicos da própria viagem (mais informações aqui), mas tendo também em consideração a interacção com os medicamentos que o transplantado tem que tomar. Não esquecer de levar uma quantidade suficiente de medicação, de acordo com a duração da viagem;
  • deve-se avaliar as vacinas que o transplantado já possui e administrar as necessárias. No entanto, devem-se evitar as vacinas vivas. As vacinas de rotina devem estar actualizadas. O transplantado deverá ter em atenção que, dado o seu estado imunossuprimido, as vacinas poderão ser menos ou não eficazes.
  • Os transplantados deverão estar conscientes das medidas preventivas a tomar relativamente aos perigos que pensa poder vir a correr (ex: protecção contra mosquitos e outros insectos, perigos de nadar em zonas não tratadas, etc.)
  • Discutir com a equipa médica os riscos de praticar actividades como caça, pesca, mergulho, espeleologia, etc.

Fonte: http://a-s-t.org/files/pdf/mobile/SafeLiving.pdf

Na próxima semana iniciamos a tradução de outro brochura da mesma Associação, sobre as especificidades do transplante pediátrico.

Recomendações Pós-Transplante da Sociedade Americana de Transplantação - Cuidados com Animais

4 de janeiro de 2008

Risco Ocupacional

Pessoas transplantadas que trabalhem com animais (veterinários, trabalhadores de lojas de animais, agricultores, trabalhadores de matadouros ou laboratórios) devem, se possível, evitar trabalhar durante os períodos de máxima imunossupressão. Quando regressarem ao trabalho, devem minimizar a sua exposição a potenciais elementos patogéneos, utilizando precauções adequadas, que incluem a lavagem das mãos, o uso de luvas e máscaras, como indicado.

Donos de Animais de Estimação

Os transplantados devem aconselhar-se com a sua equipa médica, a qual deverá ponderar os benefícios psicológicos de possuir animais de estimação, relativamente aos potenciais riscos de transmissão de infecções.

De modo geral, os receptores de transplantes devem:

  • Evitar contacto com animais que tenham diarreia.
  • Manter os seus animais de estimação saudáveis, alimentando-os com comida que não esteja contaminada ou estragada, e recorrendo ao veterinário aos primeiros sinais de doença.
  • Lavar as mãos cuidadosamente depois de cuidar dos animais.
  • Evitar limpar gaiolas de pássaros, caixas de areia dos gatos e fezes de animais. Se isto não for possível, devem ser usadas luvas descartáveis e uma máscara cirúrgica.
  • Evitar o contacto com animais vadios.
  • Evitar arranhões de animais vadios.
  • Evitar contacto com répteis (cobras, iguanas, lagartos e tartarugas), pintainhos e patos pequenos, para diminuir o risco de infecção por Salmonella.
  • Evitar o contacto com primatas não humanos (macacos).
  • Utilizar luvas para limpar aquários.
  • Evitar adquirir animais de estimação, especialmente gatos, que tenham menos de 1 ano de idade, uma vez que estes possuem um maior risco de estar infectados.
  • Evitar mordidelas de mosquitos.
  • Os gatos podem transmitir o Toxoplasma, Cryptosporidium, a Salmonella, a Campilobacter (fezes contaminadas) e a Bartonella (pulgas e arranhões).
  • As caixas de areia dos gatos devem ser mudadas diariamente (preferencialmente não pelos transplantados), porque os ovócitos do toxoplasma demoram mais de 24h a tornarem-se infecciosos.

Fonte: http://a-s-t.org/files/pdf/mobile/SafeLiving.pdf

Recomendações Pós-Transplante da Sociedade Americana de Transplantação - Cuidados com a alimentação

21 de dezembro de 2007

A maior parte das seguintes recomendações aplicam-se igualmente à população em geral. No entanto, nunca é demais relembrar que os transplantados deverão:

  • evitar beber ou comer comida confeccionada com leite ou sumos não pasteurizados.
  • evitar comer ovos crus ou mal cozidos, incluindo comidas que contêm ovos crus (ex: massa de bolos, maionese, mousses, determinados molhos, etc.).

  • evitar comer carne ou peixe cru ou mal cozido.

  • evitar todos os mariscos crus ou mal cozidos (ostras, amêijoas, berbigão, etc.).
  • evitar contaminações cruzadas enquanto se preparam os alimentos (por exemplo, separando os alimentos cozinhados dos crus; utilizando tábuas separadas ou bem limpas).

  • evitar queijos frescos (Feta, Brie, Camembert) ou queijos confeccionados com leite não pasteurizado.
  • descascar ou lavar bem frutas e vegetais.

  • evitar restaurantes de fast-food e buffets de saladas.

  • evitar consumir cachorros quentes, ou então garantir que estão bem cozinhados.
  • sempre que se consumirem sobras de alimentos previamente cozinhados, estas devem ser bem reaquecidas.
  • ter em atenção os alimentos consumidos em piqueniques ou outro tipo de situações, que possam ter estado bastante tempo à temperatura ambiente.

Fonte: http://a-s-t.org/files/pdf/mobile/SafeLiving.pdf

Recomendações Pós-Transplante da Sociedade Americana de Transplantação - Cuidados com a água

14 de dezembro de 2007

Existe muito pouca informação no que respeita ao risco e à Epidemiologia da Criptosporidiose entre os receptores de órgãos. Embora não seja uma infecção muito comum nesta população, a criptosporidiose pode causar diarreia crónica e grave em hospedeiros imunocomprometidos, particularmente nos que recebem corticosteróides. Assim, será prudente que os transplantados diminuam a sua exposição a este agente patógeneo, tomando as seguintes precauções:
  • A água municipal (mesmo se tratada) pode não ser completamente livre deste elemento patógeneo. Contudo, não existe informação que suporte uma recomendação que toda a água deva ser evitada a não ser que as autoridades emitam um parecer de que a água deve ser fervida. Nestas circunstâncias, de modo a eliminar completamente o risco de contaminação por Cryptosporidium, deve beber-se apenas água que tenha sido fervida durante pelo menos um minuto. Além do mais, devemos ter em conta que o gelo e as bebidas de máquina que são servidas em restaurantes, bares, teatros, eventos desportivos, etc. são preparados com água corrente.

  • As pessoas que pretendam adoptar outras medidas adicionais para reduzir o seu risco de criptosporidiose derivada da água devem ter em conta que a única forma de o fazer é ferver a água durante pelo menos um minuto. Filtros de uso pessoal e/ou água engarrafada podem ser boas alternativas a ferver a água, mas deve ter-se o cuidado de utilizar filtros muito finos e de utilizar água engarrafada de boa qualidade.

  • Deve-se evitar consumir água proveniente de poços, sejam privados ou públicos, em áreas onde não seja verificado frequentemente a presença de patógeneos bacterianos.

  • Os transplantados não devem beber água directamente de lagos ou rios devido ao risco de criptosporidiose, giardíase e patógeneos bacterianos.

  • As infecções derivadas da água podem também surgir através da ingestão de água durante actividades recreativas, tais como, nadar em lagos, rios ou piscinas, ou em parques aquáticos. Os transplantados devem evitar nadar em águas possivelmente contaminadas com vestígios humanos ou animais, e devem evitar engolir água enquanto nadam.

Fonte: http://a-s-t.org/files/pdf/mobile/SafeLiving.pdf

Recomendações Pós-Transplante da Sociedade Americana de Transplantação - Prevenção de Infecções Respiratórias

7 de dezembro de 2007

Os micróbios responsáveis pelas infecções respiratórias são transmitidos pela inalação de organismos aerossolizados ou pelo contacto directo de mãos contaminadas com as membranas mucosas. Assim, podemos reduzir a transmissão de agentes patogéneos através das seguintes medidas:

  • Lavagem frequente e completa das mãos, principalmente antes de tocar as membranas mucosas (nariz, boca, ouvidos, órgãos genitais, ânus, ...)
  • Evitar um contacto próximo com pessoas com doenças respiratórias. Se o contacto for inevitável, idealmente ambas as pessoas deverão utilizar uma máscara cirúrgica.
  • Evitar áreas com muitas pessoas, como centros comerciais, metropolitano, elevadores, onde é provável um contacto próximo com pessoas com doenças respiratórias.
  • Evitar fumar. Fumar e a exposição passiva ao fumo de tabaco são factores de risco para infecções bacterianas e infecções virais.
  • Evitar a exposição a pessoas que tenham tuberculose activa e evitar realizar actividades ocupacionais que aumentem o risco de exposição à tuberculose, como cadeias/prisões, abrigos sociais ou equipamentos de saúde (hospitais, centros de saúde, clínicas, etc.)
  • Evitar permanecer em ambientes de construção, excavação ou outros que possuam bastantes poeiras, sujeitos à presença de bactérias como Aspergillus.
  • Deve-se evitar jardinagem/agricultura durante o primeiro ano após o transplante. Se for inevitável, o paciente deverá utilizar uma máscara.
  • Evitar o contacto com os dejectos de pombos ou outras aves e com galinheiros, pois podem ser uma fonte de infecções fungais (Cryptococcus, Histoplasma, Coccidioides)

    Fonte: http://a-s-t.org/files/pdf/mobile/SafeLiving.pdf

  • Recomendações Pós-Transplante da Sociedade Americana de Transplantação - Prevenção de Infecções por Contacto Directo

    30 de novembro de 2007

    A maioria dos organismos são adquiridos através do contacto directo (transportamo-los nas mãos) ou por inalação. Nunca é demais realçar a importância da lavagem frequente e cuidada das mãos como forma de prevenir as infecções que são transmitidas por contacto directo.
    As mãos devem ser lavadas, preferencialmente, com um sabão anti-microbiano e água. Uma solução desinfectante pode também ser uma forma de manter as mãos limpas.

    Devem ser utilizadas luvas sempre que se pegue em materiais potencialmente contaminados, tais como terra, musgo ou mesmo estrume de animais. O andar descalço deve ser evitado.

    Quando fizer jardinagem, qualquer tipo de cultivo, ou quando estiver em parques ou áreas arborizadas deve usar sapatos, meias, calças compridas e camisolas de manga comprida.

    No Verão, e em zonas de possível transmissão, deve aplicar-se um repelente de insectos e evitar as exposições ao ar livre ao anoitecer, por forma a evitar a exposição ao vírus do Nilo.

    As mãos devem ser lavadas (mesmo depois do uso de luvas), sempre que:

    • Antes de preparar comida e antes de comer;

    • Antes e depois de tocar em feridas (quer use luvas ou não);

    • Antes de tocar em membranas mucosas;

    • Depois de tocar em animais;

    • Depois de jardinar, tocar em plantas ou terra;

    • Depois de mudar fraldas;

    • Depois de tocar em secreções e excreções;

    • Depois de tocar em coisas que tenham estado em contacto com fezes humanas ou de animais (ex: bacios, camas sujas, sanitas, caixotes do lixo).

    Fonte: http://a-s-t.org/files/pdf/mobile/SafeLiving.pdf

    Recomendações Pós-Transplante da Sociedade Americana de Transplantação - Introdução

    23 de novembro de 2007

    Iniciamos hoje a tradução de uma brochura muito completa da Sociedade Americana de Transplantação (AST). Como é muito grande, vamos dividi-la por partes. Hoje começamos, obviamente, pela Introdução:

    «O risco de infecção após o transplante de um órgão é determinado pelo estado de imunossupressão do receptor, pela sua exposição a agentes epidemiológicos e pelas consequências de procedimentos invasivos a que o receptor possa ser submetido.

    Os receptores de um transplante correm o risco de desenvolverem uma infecção a partir de organismos endógenos que são reactivados durante uma fase de excessiva imunossupressão. Também podem desenvolver infecções oportunistas com organismos adquiridos de forma exógena, se estiverem expostos a um inoculante elevado (vacina) ou a micróbios particularmente virulentos, mesmo durante fases de imunossupressão mínima ou de manutenção.

    Há várias medidas que podem ser tomadas para reduzir a exposição epidemiológica no hospital e na comunidade, e os receptores de um transplante deverão receber instruções sobre formas de minimizar as infecções.

    Os receptores de órgãos correm maior risco de contraírem uma infecção durante os primeiros 6 meses após o transplante e em qualquer altura em que a medicação imunossupressora tenha que ser aumentada, para reagir a episódios de rejeição. Também o tipo de imunossupressor utilizado é importante para determinar o risco de infecção. Por exemplo, os corticoesteróides aumentam o risco de contracção de infecções por fungos como Aspergillus, Coccidioides e Candida, enquanto que as terapias antilinfócito (OKT3, globulina antitimócito) estão associadas com a reactivação do Citomegalovírus (CMV).»

    Todas as sextas-feiras traremos mais uma parte da brochura. Estes são os temas que serão abordados:

    1. Prevenção de infecções por contacto directo
    2. Prevenção de infecções respiratórias
    3. Cuidados com a água
    4. Cuidados com a alimentação
    5. Cuidados com animais
    6. Cuidados em viagem

    Fonte: http://a-s-t.org/files/pdf/mobile/SafeLiving.pdf