Viviana só esperou meio ano pelo rim que a libertou da diálise

12 de fevereiro de 2008

Viviana é um caso raro. O tempo de espera por um rim foi substancialmente inferior à média nacional

Viviana Virgínia deverá ter amanhã alta do serviço de Nefrologia do Hospital de Santo António, no Porto. No dia 2 de Fevereiro, a adolescente de 15 anos recebeu um rim, doado por "uma criança de 12 anos que morreu num acidente". Viviana apenas teve que esperar cerca de meio ano pelo tão desejado rim, quando o tempo médio de espera a nível nacional é de 37 meses.

Aos 12 anos, a jovem engrossou o número de casos de insuficiência renal que, só em Portugal, afecta cerca de 13 mil pessoas. "O médico de família achava que o meu crescimento estava muito abaixo do normal.

Um dia,um médico viu que as minhas tensões estavam muito altas, a 20, e fui logo fazer uma ecografia aos rins. Mandaram-me de urgência para o Hospital Maria Pia e, como as tensões continuavam muito altas, fiquei logo internada cerca de uma semana", recorda Viviana com a precisão de quem sofreu na pele o problema. Regressada a casa após o primeiro internamento, começou a rotina da medicação, "mas as análises estavam sempre alteradas".

Sinais de alerta
Tirando a baixa estatura e a hipertensão, Viviana nunca teve outros sinais de alerta, como cansaço, vontade de urinar com frequência, retenção de líquidos ou até mesmo alterações de apetite. Isto porque o rim é um orgão com uma grande reserva funcional, adaptando-se à perda progressiva da sua função e, portanto, os sintomas da doença só surgem quando a diminuição da actividade renal já é muito grande.

No caso de Viviana, a progressão da doença foi atenuada até que, em Agosto do ano passado, iniciou a diálise peritoneal. Um método que lhe garantiu uma independência superior à hemodiálise, até porque ela própria era quem fazia as trocas necessárias.

Os tratamentos foram levados à risca, até porque Viviana e a família nunca perderam a esperança. A luz ao fundo do túnel surgiu após o toque do telemóvel do pai, às onze da noite do passado dia 1. "Foi o meu marido que recebeu a notícia de que havia um rim e que ela devia estar aqui às oito da manhã do dia seguinte. Nem dormi a noite toda, pois senti uma grande angústia e expectativa", confessa a mãe, Fátima, uns dias após a operação. A boa notícia apanhou todos de surpresa até porque o tempo de espera ainda não era muito. "Eu imaginava que tínhamos que esperar uns três anos. Conhecemos uma menina, com de 15 anos também, que está à espera há dez anos", afirma Fátima.

O organismo de Viviana aceitou o novo órgão e, quatro dias depois, a função renal já estava a 100%. "Um sucesso", afiança Morais Sarmento, médico responsável pelo transplante e presidente da Sociedade Portuguesa de Transplantação. Para o nefrologista, agora apenas há que "ter cuidado com eventuais infecções, o que seria fatal". "Por isso, ainda é difícil prever o regresso às aulas. A Viviana tem que evitar, para já, o contacto com muitas pessoas, pois são um potencial foco infeccioso".

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Fonte: Jornal de Notícias

1 comentários:

Susana Carinhas disse...

Que bom para esta doente! A diálise é um tratamento necessário mas que é bastante "chato" de fazer...
Eu também sou das doentes que menos tempo esperou por um rim (6 meses de díalise)...

Felicidades á Viviana! :) :x