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1 de fevereiro de 2008

Não há órgãos suficientes e são precisos dadores vivos

30 de janeiro de 2008

A Autoridade para os Serviços de Sangue e Transplantação (ASST) lançou ontem um apelo aos portugueses para que sejam dadores vivos, lembrando que, de outra forma, "nunca vai haver órgãos suficientes para todos".

Ler notícias:

Transplantes com dador vivo avançam sem seguro

29 de janeiro de 2008


A polémica foi desbloqueada:

Os transplantes com dador vivo vão avançar nos hospitais actualmente autorizados, apesar de ainda não existir um seguro que proteja o dador. A Autoridade para os Serviços de Sangue e de Transplantação (ASST) enviou àquelas unidades uma circular, onde estabeleceu que a dádiva e colheita de órgãos em vida não pode ser condicionada pela existência de um seguro.


Informação do Ministério da Saúde.

Jovem muda de tipo de sangue após transplante

28 de janeiro de 2008

Uma jovem australiana surpreendeu os médicos ao mudar de tipo de sangue depois de ter sido sujeita a um transplante de fígado. É o primeiro caso do género.

Agora com 15 anos, Demi-Lee tem uma vida perfeitamente saudável, mas aos 9 teve de ser sujeita a um transplante de fígado. Recebeu-o de um dador e o organismo sofreu alterações. É óbvio o espanto dos médicos. Nove meses depois do transplante, Demi-Lee mudou de tipo de sangue e de sistema imunológico ao adoptar as características sanguíneas do dador. "O que parece ter acontecido é que as células do seu fígado foram até à medula e criaram um sistema imunitário novo", explica o médico Stephen Alexander. Uma mudança espontânea que a equipa médica do hospital pediátrico de Sydney diz não ter precedentes.

Os médicos querem agora perceber como se deu a transformação no corpo da jovem, para tentarem reproduzir o mesmo efeito noutros doentes.

Ver reportagem.

Novas terapias reduzem utilização de fármacos em transplantados

26 de janeiro de 2008

Cientistas norte-americanos descobriram dois novos tratamentos que evitam que os pacientes que fizeram transplantes necessitem de tomar medicamentos imunossupressores para evitar a rejeição do órgão.

O primeiro estudo, realizado pela Stanford University, envolveu um homem que recebeu um transplante de rim tendo como dador o seu irmão. Durante dois anos não recebeu medicação, tendo sido tratado com terapêuticas combinadas de anticorpos, radiações e células sanguíneas do irmão. O tratamento combinado criou uma espécie de estabilização das células imunológicas que parece ter travado o ataque ao órgão transplantado.

O segundo estudo, conduzido por uma equipa do Massachusetts General Hospital, acompanhou cinco pacientes que receberam primeiro medula óssea dos dadores e depois os respectivos rins. Um dos cinco rejeitou o rim doado, mas os restantes têm conseguido sobreviver sem necessidade de medicação, divulga o artigo.

Ler notícia (em português).

Ler resumo dos artigos (em inglês):

Artigo: Indicações Actuais para Biópsia Renal

25 de janeiro de 2008

Neste artigo são revistas as indicações actuais para realização de biópsia renal, nas diversas alterações urinárias e síndromes renais. É brevemente referido o enquadramento histórico desta técnica e a evolução das indicações para a sua realização.

Ler o artigo completo.

Fonte: Acta Médica Portuguesa

Hemodiálise: 20% dos doentes morre anualmente em Portugal

24 de janeiro de 2008

Um em cada cinco doentes insuficientes renais que fazem diálise morre todos os anos em Portugal, uma «taxa elevada» causada principalmente por problemas cardiovasculares associadas à doença, segundo a Sociedade Portuguesa de Nefrologia.

Ler notícia.

Cimeira Ibérica

22 de janeiro de 2008

A 18 e 19 de Janeiro de 2008 reuniu-se em Braga a XXIII Cimeira Luso-Espanhola, presidida pelo Primeiro Ministro do Governo português, José Sócrates, e o Presidente do Governo espanhol, José Luís Rodriguez Zapatero, tendo estado igualmente presentes dez ministros de cada um dos países, entre os quais os da Saúde.

Foram vários os assuntos tratados entre os dois Ministros, entre os quais a doação e o transplante de órgãos e tecidos. Correia de Campos, Ministro da Saúde de Portugal referiu que, nesta área, será aprofundada a articulação entre as organizações nacionais de transplantes de ambos os países: «Portugal já tem disponibilizado órgãos que não estão disponíveis, momentaneamente em Espanha, e vice-versa», frisou.

Ler notícia e Portal do Governo.

Petição pelo Hospital D. Estefânia

19 de janeiro de 2008

Está a decorrer no site abaixo indicado, uma petição para ser enviada contra o encerramento do Hospital D. Estefânia. A ideia não é construir um novo hospital pediátrico, mas sim juntar as nossas crianças num hospital com os demais doentes. Isto vem no decorrer da junção de vários hospitais que o governo quer fazer com o tão falado Hospital de Todos-os-Santos, em Chelas. O que eles querem fazer não é uma melhoria, mas sim um retrocesso, pois deixaremos de ter profissionais que lidam exclusivamente com crianças para ter profissionais que lidam com todo o tipo de doentes. Assim vamos ter os nossos filhos em salas de espera conjuntamente com adultos com as mais variadas doenças. Mesmo que eles digam que o novo hospital vai ter um piso só para a pediatria, mas será uma ou outra especialidade, pois quando as crianças tiverem que ir fazer um RX, umas análises, etc, vão estar em salas de espera comum. Passaremos, ao contrário de Coimbra, Porto, a ser uma cidade sem um Hospital pediátrico, para não falar do se passa lá fora.

Adira ao abaixo assinado ao Presidente da Republica Portuguesa em http://www.petitiononline.com/hde2007/petition.html

Mais informações: http://campanhapelohde.blogspot.com/

Recomendações Pós-Transplante da Sociedade Americana de Transplantação - Cuidados em viagem

18 de janeiro de 2008

Com este post chegamos ao fim da tradução da brochura da Sociedade Americana de Transplantação. Foram abordados os seguintes temas:

Cuidados em Viagem

Viajar para países sub-desenvolvidos apresenta um risco substancial para pessoas transplantadas, especialmente durante períodos de maior imunossupressão. Assim, o paciente deverá discutir os seus planos de viagem com a equipa médica cerca de 2 meses antes da viagem propriamente dita.

Em países sub-desenvolvidos, os transplantados deverão evitar consumir:
  • água da torneira, gelo e bebidas confeccionadas com água da torneira;
  • sumos naturais de fruta;
  • leite e outros lacticínios não pasteurizados;
  • frutas e vegetais crus;
  • carne, peixe e marisco cru ou mal cozinhado;
  • ovos crus ou mal cozinhados.

Deverão, então:

  • consumir frutas e vegetais que se possam descascar;
  • consumir alimentos quentes;
  • beber bebidas engarrafadas ou enlatadas;
  • ferver a água da torneira ou desinfectá-la com iodo ou filtros portáteis.

A equipa médica poderá prescrever um antibiótico para ser levado e tomado em caso de necessidade.

Outras recomendações:

  • a profilaxia da malária deverá ser prescrita, tendo em conta diversos factores específicos da própria viagem (mais informações aqui), mas tendo também em consideração a interacção com os medicamentos que o transplantado tem que tomar. Não esquecer de levar uma quantidade suficiente de medicação, de acordo com a duração da viagem;
  • deve-se avaliar as vacinas que o transplantado já possui e administrar as necessárias. No entanto, devem-se evitar as vacinas vivas. As vacinas de rotina devem estar actualizadas. O transplantado deverá ter em atenção que, dado o seu estado imunossuprimido, as vacinas poderão ser menos ou não eficazes.
  • Os transplantados deverão estar conscientes das medidas preventivas a tomar relativamente aos perigos que pensa poder vir a correr (ex: protecção contra mosquitos e outros insectos, perigos de nadar em zonas não tratadas, etc.)
  • Discutir com a equipa médica os riscos de praticar actividades como caça, pesca, mergulho, espeleologia, etc.

Fonte: http://a-s-t.org/files/pdf/mobile/SafeLiving.pdf

Na próxima semana iniciamos a tradução de outro brochura da mesma Associação, sobre as especificidades do transplante pediátrico.

Reportagem SIC: Deste Ser e do Outro

17 de janeiro de 2008

No dia em que o Homem pisou pela primeira vez a Lua, Portugal inscreveu o seu nome na história das transplantações de órgãos humanos. A equipa liderada pelo professor Linhares Furtado, do Hospital da Universidade de Coimbra, transplantou um rim, curiosamente, de dador vivo. No entanto, só em 1980 é publicada a Lei que autoriza a colheita de órgãos em cadáver e se inicia a prática regular da transplantação em Portugal.

Em 19/1/2006 a SIC apresentou a reportagem "Deste ser e do outro", que traça o panorama das transplantações em Portugal e dá a conhecer pessoas que "renasceram" a partir do momento em que receberam um transplante.

Ler notícia.

Ver reportagem.

Uma vez que a reportagem já tem 2 anos, existem algumas diferenças entre o que era verdade na altura e o que se passa hoje em dia. Por isso elaborámos um pequeno guia das principais diferenças, bem como alguns esclarecimentos:

  • Ao contrário do que se diz na reportagm, a lei actual já permite a doação de órgãos não regeneráveis fora dos laços de parentesco (ver post de 1/7/2007)
  • Transplante sequencial/dominó de fígado (Por razões genéticas, o fígado de algumas pessoas começa a produzir, logo após o nascimento, uma proteína em excesso. Os efeitos, contudo, só se manifestam 30 anos mais tarde. Aquilo que se faz é o seguinte: essa pessoa é sujeita a um transplante e o seu fígado é utilizado noutra. Só dali a trinta anos é que a doença se poderá manifestar. Se uma pessoa tiver 50 ou 60, digamos que o ‘novo’ fígado dura até aos 80 ou 90. - Dr. Manuel Abecassis in Correio da Manhã de 2/9/2006)
  • O Presidente da Sociedade Portuguesa de Transplantação já não é o Dr. Domingos Machado, mas sim o Dr. António Morais Sarmento
  • O Dr. Eduardo Barroso, para além de cirurgião no Hospital Curry Cabral, assumiu também as funções de Presidente da nova Autoridade para os Serviços de Sangue e Transplantação (ASST).
  • A Organização Portuguesa de Transplantação, que na reportagem era representada pelo Dr. Manuel Abecassis, foi extinta em Maio de 2007, tendo sido substituída pela ASST.
  • Diz-se que em alguns países existem tribunais especiais para decidir sobre as questões relacionadas com a doação em vida. Em Portugal não existe tribunal especial, mas desde que foi publicada, a Lei nº 22/2007, foi criada a EVA, a Entidade Verificadora de Admissibilidade (EVA), que é uma estrutura que existe em todos os hospitais autorizados a fazer transplantes de dador vivo, e que tem a responsabilidade de, para além das decisões médicas já tomadas, confirmar a total legalidade da doação.
  • A EVA tem uma composição multidisciplinar e é constituída por três membros da Comissão de Ética para a Saúde (CES), que não estejam envolvidos em programas de transplantação (mais informações no Portal da Saúde).
  • Na reportagem referem-se aos critérios de atribuição de órgãos, os quais foram alterados este ano, no caso dos transplantes renais (ver post de 2/8/2007).

Coração artificial: primeiro órgão biológico feito em laboratório

15 de janeiro de 2008

Uma descoberta publicada pela Nature Medicine poderá finalmente permitir o fabrico de órgãos artificiais para transplantes. Os resultados são ainda muito preliminares, foram obtidos com corações de ratos e vão demorar anos a serem aplicados a seres humanos.

Mas as opiniões são consensuais: trata-se de uma abordagem extremamente promissora e que pode vir a gerar um dia, no laboratório, peças sobressalentes para o corpo humano, órgãos bioartificiais em tudo semelhantes aos naturais e feitos à medida de cada doente.

Todos os anos, dezenas de milhares de pessoas com insuficiência cardíaca muito grave morrem à espera de um transplante de coração. A penúria também vale para os rins e outros órgãos. Para mais, depois de um transplante cardíaco, impõe-se um tratamento vitalício com imunossupressores para evitar a rejeição, o que condena muitos doentes à diabetes, hipertensão, problemas renais, etc.

A engenharia dos tecidos não é algo novo: usa-se pele artificialmente gerada para tratar grandes queimados e estão actualmente em curso testes de bexigas artificiais fabricadas a partir das células dos doentes. Mas no artigo anteontem publicado on-line pela equipa de Doris Taylor, da Universidade do Minnesota, há pelo menos duas novidades cabais: por um lado, os corações gerados têm a arquitectura de um coração natural; por outro, batem como um coração.

"O que fizemos foi simplesmente pegar nos tijolos de construção da própria natureza para construir um novo órgão", diz Harald Ott, do Hospital Geral do Massachusetts e co-autor do estudo, citado por um comunicado da Universidade do Minnesota. "Quando vimos as primeiras contracções, ficámos sem fala.

"Em vez de tentar produzir um coração de raiz, com toda a sua intricada estrutura, utilizando somente células precursoras das células cardíacas, os investigadores aproveitaram a estrutura tridimensional cardíaca de base para construir o órgão. Utilizando corações de ratos, começaram por os despir de todas as suas células com detergentes especiais - técnica que também não é nova, chamada "descelularização". No fim desta fase, só restava dos órgãos originais um "esqueleto", uma matriz de tecido extracelular, com as suas câmaras, as suas válvulas e a sua estrutura vascular.

Órgãos-fantasma

A fase seguinte consistiu em reconstruir um coração novo com base nestes órgãos-fantasma. Para isso, recorreu-se a células cardíacas imaturas vindas de ratos recém-nascidos. Os cientistas injectaram centenas de milhões destas células dentro das matrizes vazias e introduziram os objectos bioartificiais dentro de máquinas incubadoras capazes de simular o ambiente em que um coração se desenvolveria naturalmente.

Quatro dias mais tarde, observaram as primeiras contracções; oito dias depois, os corações começaram a bombear sangue com uma potência equivalente a dois por cento de um coração de rato. Mesmo assim, uma proeza. "Quando cortamos estes no-vos corações às fatias, lá estão as células", diz Taylor, citada pelo mesmo documento. "Elas possuem uma série de marcadores cardíacos e parecem saber qual deve ser o comportamento do tecido cardíaco.

"Para os cientistas, o passo seguinte consiste em construir um coração já não com células cardíacas imaturas, mas com células estaminais - que são ainda mais primordiais e capazes de dar origem a todos os tecidos do organismo. "O nosso objectivo é utilizar as células estaminais dos doentes", diz Taylor. Extraídas, por exemplo, da medula óssea. Hoje em dia, este tipo de procedimento ainda é proibitivo em termos de custos e de tempo, mas os cientistas esperam que se torne fazível regenerar um coração à medida do doente em poucos meses.

Já vislumbram o futuro: utilizar como "andaime" corações de porco, muito semelhantes ao humano. E gerar "rins, fígados, pulmões, pâncreas". "Esperamos poder fabricá-los todos um dia", diz Taylor.

Fonte: Jornal O Público

Ver vídeo na SIC.

Press Release da Universidade de Minnesota

Artigo: Problemas do transplante renal a longo prazo

Os principais responsáveis pelos resultados mais pobres do transplante renal a longo prazo são a disfunção crónica (DC) e a morte com enxerto funcionante. O autor faz uma revisão do conceito de DC e do seu lugar na caracterização do "estado crónico do enxerto", que inclui a nefropatia crónica do transplante (NCT) e a rejeição crónica (RC).

Quando o diagnóstico destas situações não é confirmado por outros meios complementares (como por exemplo pelo exame do material de biópsia), sugere-se o uso da designação DC pois parece-nos o mais apropriado para incluir toda a patologia crónica do enxerto. DC define-se como a degradação funcional do enxerto, persistente e progressiva, causada por factores imunológicos e não-imunológicos. De entre estes factores, os principais são: a rejeição aguda, a toxicidade dos fármacos imunossupressores, a idade do dador (pediátrica ou mais avançada), o tempo de isquémia, a síndrome de isquémia-reperfusão e a infecção pelo citomegalovírus (CMV).

Conclui, salientando os principais problemas (científico-técnicos, profissionais e éticos) que se reflectem nos resultados do transplante renal de cadáver a longo-prazo e propondo algumas medidas tendentes a minorar as suas consequências.

Ler artigo completo.

Reportagens

12 de janeiro de 2008

Notícias sobre o programa de transplantação com dadores vivos do Hospital de Santa Cruz e a questão do seguro para o dador:

SIC

TVI

RTP

  • Vídeo (a partir do minuto 31)

Continuação da polémica...

Dúvidas na lei colocam doentes à espera de transplante

O Hospital de Santa Cruz tem quatro doentes à espera de um transplante por existirem dúvidas sobre a lei que regula a colheita e transplante de órgãos. Este diploma, que está em vigor há 15 anos, prevê um seguro obrigatório para o dador vivo, mas não há seguradora que o faça.

Ainda assim, a Associação Portuguesa de Seguradores rejeita responsabilidades, conforme explicou à TSF Alexandra Queirós.

«A lei que está em vigor vem na sequência de uma lei de 1993, que não define com clareza qual o tipo de seguro que se pretende que se faça. Por outro lado, não tem quaisquer requisitos quanto a esse seguro, nomeadamente, desconhece-se o valor do capital a segurar», afirmou.

No entender da responsável, era necessário regulamentar esta lei, uma vez que «a própria lei nem sequer remete para regulamentação esta matéria».

José Miguel Boquinhas, administrador do Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental, que inclui o Hospital de Santa Cruz, disse à TSF que «o hospital ainda não se pronunciou sobre estes casos concretos porque tem dúvidas em relação à interpretação da própria lei».

«A questão irá ser resolvida nos próximos dias, sendo que o problema em causa não é do Hospital de Santa Cruz, mas de âmbito nacional», sublinhou.

Por seu turno, o presidente da Autoridade Nacional para a Transplantação, Eduardo Barroso, disse não compreender a posição da administração do Hospital de Santa Cruz, sublinhando que «o dador vivo foi sempre feito, até ao momento, com a lei de 1993 sem estar integralmente cumprida, porque nunca se encontrou uma seguradora que quisesse fazer o tal seguro». À TSF, Eduardo Barroso disse ainda estranhar o momento em que a situação é tornada pública.

Fonte: TSF (com depoimentos em áudio do lado direito)

Falta de seguro pára transplantes de dador vivo

11 de janeiro de 2008


Os transplantes de órgãos com colheita em dador vivo estão parados no Hospital de Santa Cruz, em Lisboa, por não existir um seguro que proteja o dador. A lei 22/2007, que regula a colheita e transplante de órgãos, prevê que as instituições hospitalares celebrem seguros a favor do dador* [ver nota]. O hospital contactou várias companhias de seguros mas "nenhuma se disponibilizou para o fazer", diz ao DN Pedro Abecassis, director clínico do Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental (CHLO).

Esta norma afecta os oito hospitais autorizados a fazer a colheita de órgãos em vida. No entanto, é no Hospital de Santa Cruz que mais se fazem transplantes de órgãos com dador vivo, apurou o DN. Os transplantes pararam nesta unidade e aguardam que a situação seja desbloqueada.O cirurgião Eduardo Barroso refere que "existem dificuldades legais há 15 anos". No entanto, o presidente da Autoridade Para os Serviços de Sangue e de Transplantação (ASST) explica que "se está a tentar desbloquear a situação. Os hospitais não têm conseguido obter o seguro porque nenhuma companhia de seguros o quis fazer até hoje". José Miguel Boquinhas, presidente do Conselho de Administração do CHLO, acrescenta que "o problema tem algum tempo, mas as seguradoras não têm conseguido calcular o risco" ligado à colheita.

Cabe aos hospitais garantir a protecção ao dador, mas como tal não tem sido possível, "a ASST está a dialogar com a Associação Portuguesa de Seguradores. Estamos a tentar desbloquear o sistema. Falou-se, até, da hipótese de criar um seguro de caução", diz Barroso.

O DN tentou contactar a Associação Portuguesa de Seguradores, mas não obteve uma resposta em tempo útil. Fonte do Instituto de Seguros de Portugal afirmou, porém, que "a legislação impõe a obrigatoriedade de segurar, mas as seguradoras não são obrigadas a fazê-lo. As partes envolvidas têm de estar em acordo", frisa. Até agora, o hospital fazia cerca de "cem transplantes com dadores vivos", afirma Eduardo Barroso. Tal como as restantes unidades, fazia-o sem seguro, que já está previsto por lei desde 1993. A lei acabou, assim, por nunca ser cumprida, mas "nunca houve complicações e os doentes nunca ficaram prejudicados", diz. Parte da lei era garantida, nomeadamente o direito à assistência médica, e os dadores ficavam ainda isentos de taxas moderadoras.

Maria João Aguiar, responsável da área de colheita da ASST, espera que a "situação seja resolvida o mais rapidamente possível. Mesmo que tenhamos de esperar mais algum tempo, gostaríamos de garantir que a pessoa que é solidária seja protegida. Não podemos ignorar um direito que o dador tem".Este bloqueio afecta a dádiva de órgãos em vida a casais e amigos, doação que era barrada até à aprovação da nova lei, mas acaba por afectar a doação por familiares, que até agora era feita sem quaisquer problemas. O DN tentou contactar outros hospitais para conhecer a sua situação, mas não teve resposta.

Fonte: Diário de Notícias

*Artigo 9.º
Direito a assistência e indemnização

1—O dador tem direito a assistência médica até ao completo restabelecimento.
2—Sem prejuízo do disposto no n.º 1 do artigo 5.º, o dador tem direito a ser indemnizado pelos danos sofridos no decurso do processo de dádiva e colheita, independentemente de culpa, nomeadamente pelas despesas decorrentes da doação.
3—Cabe aos estabelecimentos referidos no n.º 1 do artigo 3.º assegurar os direitos referidos nos n.ºs 1 e 2 do presente artigo.
4—Os estabelecimentos mencionados no n.º 1 do artigo 3.º devem celebrar um contrato de seguro a favor do dador e suportar os respectivos encargos.


Comentário: Mais uma vez, inadmissível!!

Pergunta JÁ COM resposta

10 de janeiro de 2008

Ontem publicámos um post relativo à falta de resposta do Instituto de Genética Médica a um e-mail enviado por nós em Novembro de 2007. É com alguma satisfação que vos informo que, após a publicação da nossa preocupação no blog, a resposta chegou no próprio dia! Apesar de não ser a resposta que gostaríamos de receber, revela que os nossos esforços estão a ter eco.

Assim, passo a apresentar o e-mail que recebemos da Dra. Manuela Ferreira de Almeida, Assessora de Nutrição do IGM:

«Na realidade, as crianças com insuficiência renal crónica não podem beneficiar do acesso aos produtos dietéticos hipoproteicos disponíveis no Instituto de Genética Médica (IGM), pois passaram a ser comparticipados a 100%, através dos despachos 14 319/2005 2ª série de 29 de Junho de 2005 e 25 822/2005 2ª série de 15 de Dezembro de 2005, para os doentes afectados de erros congénitos do metabolismo proteico*, desde que sejam prescritos sob controlo e vigilância médica e nutricional dos centros de tratamento designados pelo referido Instituto, que só tem a responsabilidade de os disponibilizar para estes doentes.

*(Os erros congénitos do metabolismo proteico são genericamente causadas por defeitos enzimáticos nas cascatas metabólicas do metabolismo das proteínas. O tratamento destas doenças é complexo e integra em muitas delas uma abordagem nutricional, sendo a base de actuação para evitar as múltiplas consequências dos defeitos metabólicos. Esta abordagem consiste na implementação de uma dieta restrita em proteína natural e suplementada com misturas de aminoácidos restritas em um ou mais aminoácidos para os quais o doente faz toxicidade. No entanto, o restante aporte nutricional e energético fica comprometido, com repercussões severas na sua qualidade de vida e mesmo na sua sobrevivência, se não forem usados alimentos de baixo conteúdo em proteínas e, como tal, muito bem tolerados pelos doentes, sempre dentro do contexto da necessidade de uma nutrição correcta para permitir o crescimento e evitar lesões no sistema nervoso central em desenvolvimento)

Com os meus melhores cumprimentos,

Manuela Ferreira de Almeida
Assessora de Nutrição
Instituto de Genética Médica»

Pergunta sem resposta: Produtos hipoproteicos

9 de janeiro de 2008

As proteínas são nutrientes essenciais para o crescimento e reparação dos tecidos do corpo e desempenham um papel importante na luta contra as infecções. O resultado final da digestão das proteínas que ingerimos na nossa alimentação é um produto chamado ureia e substâncias ácidas. Quando os rins funcionam mal, são incapazes de as filtrar, conduzindo à sua acumulação no sangue. Assim, na doença renal é preciso limitar a ingestão de alimentos ricos em proteínas, garantindo que o organismo obtenha diariamente a quantidade de que precisa, e nas proporções adequadas, entre os tipos de proteínas existentes.

Fonte: Alimentação e IRC em Idade Pediátrica

É possível reduzir a ingestão de proteínas através de uma alteração na dieta, orientada pelo serviço de Dietética que deverá acompanhar estas crianças, mas existem também alternativas, que permitem substituir os alimentos "proibidos" ou menos aconselhados. São produtos dietéticos em forma de pão, base para pizza, massas, bolachas, leites, sobremesas, etc. (exemplo), que poderão ajudar às restrições, com menos sacrifício.

No entanto, não é fácil e nem sempre acessível financeiramente conseguir estes suplementos alimentares. O Instituto de Genética Médica, no Porto, tem como responsabilidade o fornecimento, a nível nacional, dos alimentos hipoproteicos indispensáveis à dieta dos doentes com fenilcetonúria ou outras doenças metabólicas hereditárias. O preço destes alimentos é comparticipado pelo Ministério de Saúde. Em Novembro contactámos este Instituto, no sentido de sabermos se os doentes de IRC também poderiam beneficiar do acesso a estes produtos e se, sim, se os mesmos seriam comparticipados. Infelizmente, até à data, não obtivemos qualquer resposta.

Aqui fica, de novo, a pergunta no ar:

Tomámos conhecimento que o Instituto de Genética Médica comercializa produtos dietéticos hipoproteicos, os quais poderiam ser úteis às crianças com insuficiência renal crónica, particularmente numa fase pré-diálise, em que é importante controlar o aporte proteico. Gostaríamos de saber se é possível às crianças insuficientes renais adquirirem também os produtos junto do IGM e, se sim, se os mesmos são comparticipados.

Artigo: Rim único e desporto

8 de janeiro de 2008

As opiniões médicas e a prática corrente no que respeita à participação de crianças e adolescentes com um só rim normal em desportos de contacto/colisão são muito diferenciadas.

Neste estudo a hipótese de limitar a participação em jogos de contacto, baseada apenas na presença de um único rim, não é suportada pela informação disponível. Fez-se um levantamento das recomendações dos nefrologistas pediátricos no que respeita à participação de pacientes com um só rim normal neste tipo de desportos e faz-se uma revisão da literatura para determinar a taxa de lesões renais no desporto comparativamente a outros orgãos.

A conclusão a que se chegou foi que, a maioria dos nefrologistas pediátricos proibem a participação de atletas com um único rim em desportos de contacto/colisão, particularmente no futebol. Contudo, a evidência demonstra que andar de bicicleta constitui um risco muito superior de provocar lesões no rim. Adicionalmente, as lesões renais provocadas por práticas desportivas nos rins é muito menos comum que os acidentes cerebrais, ou na espinal medula, ou mesmo que os acidentes cardiovasculares. Assim, conclui-se que restringir a participação de pacientes com um único rim normal em desportos de contacto/colisão é injustificada.

Ler Artigo (em inglês)

Taxas moderadoras

7 de janeiro de 2008

Já estamos habituados... Ano Novo, Preços Novos! Mais uma vez, na Saúde, houve aumentos nas taxas moderadoras. As taxas moderadoras das urgências sofrerarm um aumento de mais de 4%. A partir de 1/1/2008, o acesso à urgência de um hospital central passa a custar 9,20 €, mais 45 cêntimos que no ano passado, enquanto aceder à urgência de um hospital distrital passa a custar 8,20 €, com uma urgência num centro de saúde a custar 3,60 €.

Ler notícia.

No entanto, felizmente, mantêm-se as excepções à regra e, entre outros, estão isentos do pagamento das taxas moderadoras:

  • As crianças até aos 12 anos de idade, inclusive;
  • Os beneficiários de abono complementar a crianças e jovens deficientes;
  • Os insuficientes renais crónicos, diabéticos, hemofílicos, parkinsónicos, tuberculosos, doentes com sida e seropositivos, doentes do foro oncológico, doentes paramiloidósicos e com doença de Hansen, com espondilite anquilosante e esclerose múltipla;
  • Os doentes portadores de doenças crónicas, identificadas em portaria do Ministro da Saúde que, por critério médico, obriguem a consultas, exames e tratamentos frequentes e sejam potencial causa de invalidez precoce ou de significativa redução de esperança de vida;

A prova dos factos referidos nos pontos anteriores faz-se por documento emitido pelos serviços oficiais competentes.

Mais informações aqui.