Despacho n.º 6537/2007

2 de agosto de 2007

Entrou em vigor no início deste mês o Despacho nº 6537/2007, publicado no Diário da República de 3/4/2007, o qual estabelece novas normas para a selecção do par dador-receptor em homotransplantação com rim de cadáver.

Este despacho beneficia de alguma forma as crianças que se encontram em lista de espera, nomeadamente pelos seguintes pontos:

  • A distribuição dentro do sistema ABO deverá ser prioritariamente isogrupal, excepto para crianças ou doentes com grau de urgência (SU), sensibilização (PRA) superior a 80%;
    Significa que as crianças poderão receber rins de um dador com um grupo sanguíneo diferente do seu, desde que compatível.
  • São definidos os critérios de pontuação a aplicar na selecção do par dador-receptor. Entre outros factores de pontuação, salientamos o seguinte, que beneficia as crianças mais pequenas:
    Idade:
    < 11 anos: 5 pontos
    De 11 a 18 anos: 4 pontos
  • No caso do dador de idade inferior a 18 anos, deverá ser feita selecção nacional para doentes pediátricos, sendo aceitável como compatibilidade mínima a existência de duas identidades no sistema HLA, das quais uma em DR.
  • Na selecção ao nível regional, um dos rins será atribuído a um doente inscrito no hospital ou unidade da colheita, a seleccionar de entre os doentes da sua lista activa com maior pontuação. Serão excepção a esta norma casos em que haja ao nível nacional mais
    de um:
    - Receptor pediátrico;
    - Receptor hiperimunizado;
    - Receptor em SU.
  • Quando o dador tiver menos de 30 anos, as crianças com idade inferior a 18 anos entram sempre no grupo de selecção, seguindo os critérios comuns aos restantes doentes, mas com prioridade sobre esses doentes.

Novo link

1 de agosto de 2007

Acrescentámos um novo link à nossa secção "Recursos na Internet", do lado direito. A Dra. Margarida Ferrero, nefrologista de adultos, criou um site, Doença Renal Crónica, o qual merece destaque permanente neste blog, pela quantidade de informação importante, escrita de forma clara e acessível e em português, claro!

O Criança e Rim na Imprensa Online

30 de julho de 2007

O ''Hospital do Futuro'' é um Fórum independente, organizado pela groupVision Saúde, que visa encorajar e dar suporte à geração de conhecimento, num sector de actividade que intersecta a política, a tecnologia e a inovação, oferecendo:
- Uma metodologia reconhecida para enquadrar o debate de ideias
- Uma rampa de lançamento para novas iniciativas
- Uma abordagem sujeita a melhoria contínua.

No contexto desta metodologia, o Hospital do Futuro considerou pertinente divulgar o projecto Criança e Rim, tendo incluído este artigo na sua newsletter de Julho de 2007. Esperemos que se trate de mais uma oportunidade de divulgação do nosso projecto, no sentido de chegarmos a mais pessoas com interesse por esta problemática!

Notícia: Hospitais Portugueses vão ter estrelas como os hotéis

20 de julho de 2007

Os serviços de saúde poderão vir a ser avaliados e classificados através de um sistema de estrelas semelhante ao que se usa para os hotéis, uma medida que a Entidade Reguladora de Saúde (ERS) quer aplicar já em 2008.

A criação de "ratings" dos hospitais e clínicas públicos e privados com estrelas como as dos hotéis é, de acordo com a edição de hoje do "Diário Económico", uma das principais medidas que a ERS quer aplicar. "Queremos avaliar todos os cuidados de saúde públicos, privados e sociais, sem qualquer distinção", disse Álvaro Almeida, presidente da ERS, anunciado que os primeiros "ratings" deverão sair já em 2008 e que o sistema de avaliação já está a ser implementado.

O presidente da entidade, que falava no Porto durante um seminário sobre as novas perspectivas para o sector da saúde, considerou ainda que o sistema de zero a cinco estrelas, que já existe no Reino Unido e Estados Unidos, "é uma forma simplificada que tem algumas vantagens". Álvaro Almeida defendeu ainda que o Sistema de Avaliação da Qualidade dos Serviços de Saúde seja aplicado de forma faseada com a discussão pública dos métodos de avaliação, sendo para já certo que os indicadores escolhidos deverão ter em consideração a satisfação dos doentes.

Os resultados da avaliação deverão ser publicados no site da ERS, de acordo com o Plano de Actividades da reguladora, que segundo o Diário Económica, já foi aprovado pelo Ministro da Saúde.

Fonte: Diário económico/Público

Mais atenção aos medicamentos para crianças

15 de julho de 2007

Foi com enorme agrado que, através das palavras do Sr. Vasco Maria, Presidente da Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde (Infarmed), em entrevista à revista Visão (Revista Visão, nº 749 , 12 de Julho 2007 ), tivemos conhecimento da existência de um regulamento europeu, em vigor desde Janeiro passado, dirigido à investigação em medicamentos pediátricos.

Saudamos calorosamentes estas iniciativas que visam dar resposta a tantas das preocupações e dificuldades que temos vindo a testemunhar neste espaço Criança e Rim, e que se prendem com a não adequação das formas farmacêuticas de uma grande parte dos medicamentos prescritos às crianças com Insuficiência Renal, transplantadas ou não. Destacámos já o caso do Complexo B -Becozyme, desaparecida a fórmula xarope, ou o caso do Prograf numa forma imprópria para ministrar a crianças transplantadas.

Transcrevemos a parte da referida entrevista que consideramos relevante para o assunto em causa, em que Vasco Maria responde às questões colocadas pelo jornalista:

"Um dos dossiês que tem em mãos para a presidência portuguesa da EU é o dos medicamentos para crianças. O que está em causa?
É um problema de acessibilidade. Mais de metade dos medicamentos usados em pediatria não foram testados em crianças. A sua eficácia e segurança não estão suficientemente documentadas, as formas farmacêuticas usadas não são as mais adequadas (por exemplo, faltam xaropes ou soluções orais de toma fácil) e a dosagem em crianças é, muitas vezes, empírica. Não sabemos se estamos a administrar a dose adequada. Uma criança não é um adulto pequeno, não se pode fazer uma proporção.

E como se dá a volta a isso?
Necessitamos de investigação em crianças. Desde Janeiro, está em vigor um regulamento europeu que define um programa de investigação dos medicamentos pediátricos, permitindo às empresas que submetam pedidos de investigação, dando-lhes contrapartidas, como o prolongamento das patentes, por mais uns anos. Pretende-se que haja mais e melhores fármacos para as crianças europeias."

Esperamos notícias e sobretudo resultados rápidos.



Reportagem RTP - Programa 2010

13 de julho de 2007

Foi transmitido em Junho um programa na RTP2 em que a Insuficiência Renal foi largamente apresentada, tendo abordado questões como hemodiálise, transplantes, deficiência de PTH, etc.

Para ver a reportagem, clique aqui.

Artigo: Stress Parental em mães de crianças com Síndrome Nefrótico.

12 de julho de 2007

Ver artigo.

Notícia: Portugueses dispostos a doar os rins

10 de julho de 2007

Estudo sobre transplantes revela que sete em cada dez portugueses estão dispostos a doar os rins em vida.

Ler notícia.

Como deixar um comentário no Blog

6 de julho de 2007

No final de cada publicação (post), encontra o link "x comentários". Clicando por cima, aparece um menu com o título: "Faça o seu comentário". O editor de texto localizar-se-á imediatamente no sítio onde deve escrever o seu comentário.

Depois deve escolher a sua identidade de entre as três opções fornecidas:

  • Ou utiliza, caso tenha, a sua identificação de conta Google e nesse caso introduz o seu login habitual;

  • Se não tiver conta Google, e preferir ficar como anónimo, selecciona com o rato a bolinha mais à direita;

  • Ou selecciona a opção "Outros", abrindo automaticamente um espaço para colocar o seu nome.

Quando acabar de escrever o seu comentário e escolher a sua identidade não se esqueça de clicar em "Publicar Comentário"!

Esperamos, desta forma, contar com a sua participação!

Como colocar uma mensagem no Fórum

Se é daquelas pessoas que gostaria de participar no nosso Fórum, mas sente alguma dificuldade prática em fazê-lo, gostaríamos de explicar-lhe como o pode fazer.

  • Logo na página inicial do blog, no lado direito, clique onde diz Fórum de Discussão. Abrem-se muitas vezes algumas janelas de publicidade, que terá de fechar (isto porque o Fórum é gratuito).
  • Aberto o Fórum, no cabeçalho, clique numa barra verde onde diz Inserir Mensagem.
  • Abrir-se-á a janela onde pode escrever a sua mensagem.
  • Deve colocar o seu nome onde diz Name.
  • Se pretender pode também colocar o seu endereço de Email, logo na linha abaixo do Name.
  • Onde diz Subject deve colocar o assunto ou título da mensagem.
  • No quadradinho onde diz Enter message, deve então escrever a sua mensagem.
  • Para terminar deve clicar em Post message.
  • Se no final pretender regressar ao Fórum clique no topo da página em Return to Forum, ou, se pretender regressar ao Blog, clique em Return to Website.
Se o que pretende é responder a alguma mensagem já colocada, deve abrir a mensagem à qual pretende responder (clicando sobre a mesma), e abrirá uma janela com o corpo ou texto da mensagem. Logo em cima aparece Responder (ao lado de Fórum). Ao clicar lá abre-se uma janela em tudo idêntica à de uma nova mensagem, devendo seguir os passos atrás descritos. Não se esqueça de clicar em Post message no final, para ter a certeza que a sua mensagem não se perde!

Refluxo Vesico-Ureteral

5 de julho de 2007

Para os interessados no tema, aqui fica um artigo muito completo, da autoria da prof Helena Jardim (Nefrologista pediátrica).

Resposta dos Laboratórios Basi

4 de julho de 2007

Na sequência do post colocado no dia 22/6/2007, relativamente a um novo suplemento, o "Complexo B", dos Laboratórios Basi, recebemos o seguinte e-mail com a resposta às nossas questões:



Exmos. Senhores

No seguimento das questões colocadas no Blog, esclarecemos da seguinte forma:

O “ Complexo B “ classificado como “suplemento alimentar” na apresentação de Xarope 100 ml foi lançado para o mercado nacional em 2007, estando a sua divulgação a ser feita junto de todos os profissionais de saúde e acreditamos que em breve será um produto bem reconhecido no mercado.

O que é preciso para as nossas farmácias hospitalares "descobrirem" este produto?

O produto “Complexo B” é distribuído exclusivamente para o mercado hospitalar pela empresa Overpharma.


(Contactos Overpharma-Produtos Médicos e Farmacêuticos Lda.


Av Dr. F. Ricardo Ribeiro Leitão, 18 r/c Dto


2745-711 Massamá


Telef. 214 307 760


Fax: 214 307 769


E-mail: overpharma.@netcabo.pt



O que é preciso para que os nossos médicos o conheçam e prescrevam?


Toda a divulgação e promoção do produto é feita junto de todos os profissionais de saúde (em hospitais, centros de saúde, clínicas, etc. )


Será que o facto de ser um "suplemento alimentar", e não um "medicamento", tem influência na sua divulgação e cedência gratuita?


O facto de ser um suplemento alimentar e não um medicamento não tem influência na sua divulgação e cedência gratuita, distribuído e divulgado pela Overpharma (distribuidor exclusivo dos Laboratórios Basi para o mercado hospitalar).


Será que o facto de ser um "suplemento alimentar", e não um "medicamento", tem influência na sua divulgação e cedência gratuita?

O facto de ser um “suplemento alimentar” e não um “medicamento” não tem influência na sua divulgação e cedência gratuita, distribuído e divulgado pela Overphama (distribuidor exclusivo dos Laboratórios BASI para o mercado hospitalar).

Quais as probabilidades de este "suplemento alimentar" passar a "medicamento" no futuro?

A composição e indicações propostas para o “Complexo B” Xarope permitem a sua classificação como suplemento alimentar. O objectivo deste produto é realmente complementar e suplementar o regime alimentar com um concentrado de substâncias nutrientes (vitaminas do Complexo B) necessárias às diversas funções fisiológicas. De momento, não há perspectivas de este produto alterar a classificação.


Disponíveis para qualquer esclarecimento adicional

Melhores Cumprimentos
Fátima Dias




_______________
Laboratórios Basi -Indústria Farmacêutica, S.A.

Lei nº 22 de 2007 - Nova Lei de Colheita e Transplante de Orgãos, Tecidos e Células de Origem Humana

1 de julho de 2007


Esta é uma Lei que dificilmente iremos esquecer: Lei nº 22 de 2007.

29 de Junho é um dia que ficará marcado nas nossas vidas: foi publicada no Diário da República, a Lei que altera a até ao momento vigente Lei nº 12/1993, relativa à colheita e transplante de órgãos, tecidos e células de origem humana.

HOJE já é permitido recorrer a dadores vivos fora da família do doente!

Estamos cientes que a criação de todas as condições para que a Lei possa ser aplicada na prática não é imediata, mas acreditamos que, dada a dimensão do impacto resultante em tantas vidas, particularmente de crianças e jovens que não têm dadores compatíveis ou em condições de saúde nos familiares próximos, e para os quais está em jogo "toda uma vida", seremos muito brevemente testemunhas de "doações salvadoras", em actos que representam uma das mais elevadas demonstrações de solidariedade!

Como sugestão para reflexões complementares, deixamos para consulta, um artigo do Diário de Notícias sobre esta Lei: Dádiva de órgãos em vida é alargada a casais e amigos.

Finalmente, o Criança e Rim deixa aqui um agradecimento especial ao Ex.mo. Sr. Presidente da República pela celeridade com que tratou este assunto, tendo efectuado a promulgação da Lei a 8 de Junho, imediatamente após esta lhe ter sido enviada a 28 de Maio para o efeito (ver post de 7/6).

Transplantes e Doação: alguns números do Mundo

29 de junho de 2007

A AFP - agência mundial de informação publicou no passado dia 14 um pequeno mas interessante artigo, intitulado Transplantes: rim é órgão mais solicitado no mundo.


Neste artigo são deixados ao leitor alguns números e tendências sobre a evolução dos transplantes e da doação de orgãos no mundo, com alguma relevância no momento em que também em Portugal este é um tema da actualidade.

Transplante parcial de rim na Roménia

27 de junho de 2007

(extraído e traduzido de Mathaba News Agency - Romanian Surgeons perform world´s first half-kidney transplant)

Um rapaz de três anos com Insuficiência Renal recebeu parte de um rim da sua mãe, naquele que foi o primeiro transplante mundial de parte de um rim, disse um cirurgião Romeno no passado dia 21.

A cirurgia decorreu na quarta-feira (dia 20 de Junho), no Urology and Kidney Transplant Institute na cidade de Cluj-Napoca, efectuada por uma equipa médica liderada por Mihai Lucan. No dia seguinte ao transplante, a criança e a mãe encontravam-se bem, segundo o Dr. Lucan.

O Dr. Lucan explicou que embora tirado na totalidade à mãe, o rim não poderia ser transplantado completamente por não ser compatível com as dimensões do corpo da criança. Depois de extraído do corpo do dador, o rim foi seccionado em dois por uma equipa de microcirurgia, tendo a criança recebido aproximadamente dois terços.

Esta criança nascida em Bucareste fazia diálise peritoneal seis vezes por dia desde os nove meses, tendo uma estatura de uma criança de um ano. A cirurgia decorreu durante cerca de sete horas e o rim "construído" pela equipa médica começou a funcionar logo após o transplante.

Até agora apenas eram conhecidos transplantes parciais de fígado e pulmão. Diz o professor Mihai Lucan que no mundo, 16 em cada 1000 bebés nascem com insuficiência renal. A diálise e o transplante são as soluções que viabilizam a sua vida, no entanto as probabilidades de encontrar um rim compatível com as dimensões físicas dos seus corpos são muito reduzidas.

Manipulados

25 de junho de 2007

Dizem-me alguns doentes que os manipulados deixaram de ser comparticipados, de todo. Alguém teve a experiência?

Que fazer?

Notícia: Bebé salvo por sangue do cordão umbilical do irmão

Para os mais cépticos a propósito da utilização das células estaminais (do cordão umbilical), aqui fica um exemplo, bem real, da utilização destas células para salvar a vida de uma criança.

Foi realizado o primeiro transplante com células estaminais do sangue do cordão umbilical, criopreservadas num banco privado português. A operação realizou-se com uma criança de 14 meses, em Fevereiro deste ano, cujos pais tinham guardado o sangue do seu irmão na Crioestaminal. O IPO do Porto recorreu às células quando foi diagnosticada à criança uma imunodeficiência combinada severa (SCID).

Este é um grupo heterogéneo de doenças raras, caracterizadas por deficiências no sistema imunitário, o que torna os doentes mais susceptíveis a infecções graves, muitas vezes recorrentes e eventualmente fatais. A solução neste caso passava por um transplante de células estaminais do sangue do cordão umbilical, ou da medula, o qual seria bastante doloroso e com riscos para o dador. Os pais da criança tinham criopreservado o sangue do cordão umbilical do seu irmão, e estão neste momento felizes pelo facto do seu filho estar a recuperar bem.

Devido ao débil sistema imunitário, esta criança, natural de Coimbra, manifestava episódios recorrentes de infecção que foram sendo provisoriamente controlados recorrendo a tratamentos com antibióticos e imunoglobulinas. O diagnóstico final indicava redução significativa e quase ausência de linfócitos CD8 em circulação, que poderiam levar à morte da criança. O transplante foi então realizado com sucesso, num contexto heterólogo - ou seja, a partir das células estaminais de outra pessoa, neste caso do irmão - e a criança tem registado melhorias significativas.

Para perceber melhor este caso, poderá visualizar uma reportagem emitida no Jornal da Noite da SIC em http://expresso.clix.pt/Multimedia/Interior.aspx?content_id=399526.

Assistência Médica no Estrangeiro

24 de junho de 2007

  1. Quando é que a criança tem direito à assistência médica no estrangeiro?
    Só em circunstâncias excepcionais, quando não seja possível garantir o tratamento em Portugal, mas apenas no estrangeiro.
    Assim, ela só terá lugar se:
    A unidade hospitalar em que o doente tenha vindo a ser acompanhado, ou outra para que possa ser transferido em território nacional, não disponha de meios, técnicos ou humanos, que tornem realizável o tratamento proposto, e faça a proposta.
  2. Em que condições é proposta a prestação de assistência médica no estrangeiro?A proposta de prestação de assistência médica no estrangeiro implica que exista relatório médico hospitalar favorável, elaborado pelo respectivo director clínico, com a concordância do Director-Geral da Saúde. Esse relatório deverá especificar, inclusivé, se o doente necessita ou não de ser acompanhado na deslocação por um familiar ou um profissional de saúde. O respectivo relatório, depois do parecer de uma Comissão de Assessoria Técnica, é submetido à decisão do Director-Geral da Saúde.Esta decisão ser-lhe-á comunicada no prazo de 15 dias, a partir da data do registo de entrada do pedido na Direcção-Geral da Saúde. No entanto, em caso de excepcional urgência, comprovada por relatório médico, este prazo é reduzido para 5 dias.

    Lei nº 48/90, de 24 de Agosto
    Decreto-Lei nº 177/92, de 13 de Agosto
  3. O SNS paga as despesas decorrentes da assistência médica no estrangeiro?
    Sim. O SNS paga as despesas decorrentes da prestação de assistência médica no estrangeiro aos beneficiários do SNS. As despesas resultantes de prestação de assistência médica e os gastos com alojamento, alimentação e transporte, na classe mais económica, são suportados pela unidade hospitalar cuja direcção clínica confirmou o relatório médico, sendo posteriormente reembolsado pelo Instituto de Gestão Financeira da Saúde. O hospital deve fazer os adiantamentos necessários, bem como os depósitos-caução que forem solicitados pelos hospitais estrangeiros. Em situações de excepcional urgência, comprovada pelo relatório médico, podem os doentes que tenham efectuado a deslocação ao estrangeiro, sem terem obtido a necessária autorização, submeter ao Director-Geral da Saúde o respectivo processo clínico, a fim de serem reembolsados dos gastos, caso haja decisão favorável.

    Se o doente tiver um sub-sistema (por exemplo, ADSE), é este o responsável pelo financiamento e terá de ser submetido a aprovação prévia.
Retirado dos sites da Direcção-Geral de Saúde e do Instituto de Apoio à Criança.

Complexo B

22 de junho de 2007

No dia 13 de Março colocámos uma questão, relativamente ao facto de o medicamento "Becozyme - xarope", da Bayer, essencial às nossas crianças insuficientes renais, se encontrar esgotado. Recebemos a resposta da Bayer, informando-nos que a situação seria reposta após o Verão de 2007. Entretanto, tivemos informação que havia um substituto, dos Laboratórios Basi. Enviámos um e-mail para estes Laboratórios, tendo recebido a seguinte resposta da Dra. Catarina Cardoso, Directora Executiva/Farmacêutica da Phagecon:

Exmos. Senhores,

A Phagecon, como empresa responsável pelos assuntos regulamentares e científicos dos Laboratórios Basi, vem desta forma clarificar as questões relativas ao estatuto legal do produto “Complexo B”.

Gostaria de esclarecer que actualmente o Complexo B não é um medicamento, mas sim um suplemento alimentar. A informação que está disponível no sítio do INFARMED é relativa a dois medicamentos antigos dos Laboratórios Basi que foram entretanto revogados.

Neste momento, os Laboratórios Basi têm disponível no mercado um suplemento alimentar sob a forma de xarope, denominado “Complexo B”.

Os suplementos alimentares estão regulados pelo Decreto-Lei n.º 136/2003, de 28 de Junho, que define suplemento alimentar como: “Géneros alimentícios que se destinam a complementar e/ou suplementar o regime alimentar normal e que constituem fontes concentradas de determinadas substâncias nutrientes ou outras, com efeito nutricional ou fisiológico, estremes ou combinadas, comercializados em forma doseada, tais como, ampolas de líquido, frascos com conta-gotas e outras formas similares de líquidos ou pós, que se destinam a ser tomados em unidades medidas de quantidade reduzida, fixando normas relativas ao fabrico e comercialização, nomeadamente quanto às quantidades de vitaminas e minerais.”

Desta forma, apesar de não ser medicamento, o “Complexo B” corresponde exactamente ao que as crianças necessitam, pois permite complementar as quantidades de vitaminas ingeridas na alimentação e supri-las com as quantidades necessárias para as diversas funções fisiológicas.

O “Complexo B” pode ser adquirido directamente nas farmácias e nos estabelecimentos autorizados para venda de medicamentos não sujeitos a receita médica ou então, através do distribuidor autorizado dos Laboratórios Basi, a empresa FHC Farmacêutica Lda.

Colocamo-nos desde já à disposição para qualquer esclarecimento adicional.

Com os melhores cumprimentos,

Catarina Cardoso
Directora Executiva/Farmacêutica
Phagecon

  • O que é preciso para as nossas farmácias hospitalares "descobrirem" este produto?
  • O que é preciso para que os nossos médicos o conheçam e prescrevam?
  • Será que o facto de ser um "suplemento alimentar", e não um "medicamento", tem influência na sua divulgação e cedência gratuita?
  • Quais as probabilidades de este "suplemento alimentar" passar a "medicamento" no futuro?

Associação Terra dos Sonhos

20 de junho de 2007

As crianças com doenças crónicas têm agora a possibilidade de ver os seus sonhos realizados com a ajuda de uma associação de solidariedade social especialmente criada para o efeito. A Terra dos Sonhos é um projecto de solidariedade único em Portugal, que procura criar momentos de alegria a crianças com doenças crónicas, ou em fase terminal, de forma a melhorar o seu estado de espírito.

Conhecer uma personalidade na área da música ou do desporto ou viajar até à Eurodisney são alguns dos sonhos de muitas crianças e que agora poderão estar ao seu alcance com a ajuda da associação. Em declarações à Agência Lusa, o sócio-fundador da Terra dos Sonhos, Frederico Vital, explicou que a ideia nasceu por acaso em conversa com uns amigos espanhóis que falaram neste conceito de apoio social em prática em Espanha através da fundação “Pequeño Deseo”, com sede em Madrid e que já realizou os desejos de cerca de 700 crianças. As “equipas de sonhos” constituídas por voluntários e têm o objectivo de descobrir os verdadeiros sonhos e calendarizar, produzir e realizar as fantasias, recorrendo a parceiros e a donativos de particulares e empresas. Constituída por 33 sócios-fundadores, a Terra dos Sonhos foi criada no dia 1 de Junho e tem entre os seus membros o Prof. Gentil Martins e a Associação dos Pais e Amigos de Crianças com Cancro - Acreditar.

Segundo Frederico Vital, por norma existem quatro categorias de sonhos: "eu quero conhecer", "eu quero ir", "eu quero ter", ou "eu quero ser". A realização do primeiro sonho deste projecto, adiantou, poderá vir a concretizar-se ainda este mês, mas a calendarização dos sonhos é sempre feita com os médicos que acompanham estas crianças. A candidatura à conquista de um sonho deve ser feita individualmente ou por proposta de uma instituição. "Não há nenhuma limitação. Não existimos para dar dinheiro, mas sim proporcionar sonhos à criança e a um acompanhante", disse. Numa primeira fase, adiantou, em que a associação não tem notoriedade, começamos por trabalhar apenas com instituições, mas o ideal é que qualquer pessoa se candidate, desde que a criança tenha uma doença crónica ou terminal. "Qualquer pessoa poderá apresentar a candidatura. Um amigo, pai, tio, tio ou professor", disse Frederico Vital, adiantando ainda que outro dos princípios da associação é a cooperação com as várias organizações que trabalham com crianças.

Fonte: Agência Lusa


Ora aqui está uma boa ideia! Parabéns por esta linda iniciativa!!

Criança e Rim

18 de junho de 2007


Cerca de três meses após o início deste projecto, chegou a hora de lhe dar um novo fôlego.

As iniciativas dinamizadas pelo grupo Criança e Rim, principalmente através deste blog e do fórum, permitiram já, pela primeira vez em Portugal, a reunião, o encontro e a partilha, de múltiplas realidades ligadas às doenças renais em crianças, jovens e jovens adultos portugueses.

As pessoas de quem falamos estavam até agora afastadas entre elas pela distância física, geográfica e circunstancial, embora unidas por problemas, vivências e esperanças semelhantes. O blog e o fórum Criança e Rim, encurtaram essas distâncias, ao ponto de porpocionarem um contacto quase permanente e diário, apenas com um “clique” do teclado ou rato dos computadores!

Só por isto, este projecto já compensou o esforço e a dedicação de todos os que para ele têm contribuido!

Agora queremos ir mais longe!

· Queremos dar mais força aos objectivos que o Criança e Rim está determinado a alcançar, clarificando também a forma como actua!

· Queremos facilitar a participação no Blog Criança e Rim (com comentários e textos), e no Fórum Criança e Rim (com as mensagens pessoais)!

· Queremos promover outras formas de contacto com o grupo nomeadamente através de mensagens de email e por contacto telefónico!

· Queremos alargar a partilha e colaboração no Criança e Rim ao maior número possível de participantes que directa ou indirectamente estejam ligados às realidades da Doença Renal em crianças e jovens!

Para facilitar estas novas iniciativas, o Criança e Rim tem agora um portal de entrada – Portal Criança e Rim.

O Portal Criança e Rim é um espaço que, para além de conter informação permanente sobre o Criança e Rim, meios de contacto, e outra informação de relevo, permite o acesso directo ao Blog Criança e Rim e ao Fórum Criança e Rim, além de dar acesso directo a outros espaços.

Envie-nos a sua história, a sua perspectiva da realidade que vive! Deixe-nos a sua mensagem no Fórum ou o seu comentário a esta publicação (post)! Envie-nos um email com as suas questões e dúvidas!

Venha participar connosco! Seja parte integrante deste projecto!

Notícia: Investigadores de Coimbra inventam bioadesivos para substituir pontos cirúrgicos

16 de junho de 2007

Muitas são as razões que temos para nos orgulharmos do representativo contributo dos portugueses para os avanços da medicina e da saúde no mundo. Mais uma notícia para juntar ao vasto rol nestas áreas.

Sabemos no entanto que, nestes domínios, o tempo que medeia entre "a descoberta e invenção" duma solução e a sua aplicação prática pode ser muito longo, deixando antever as questões que nos surgem:

  • para quando poderemos esperar a utilização corrente destes bioadesivos nos serviços pediátricos em que as nossas cianças e jovens são acompanhados?
  • o que estará ao nosso alcance fazer para ajudar na aceleração deste processo?

Pode ajudar?

15 de junho de 2007


A Fundação Infantil Ronald McDonald é uma Instituição Particular de Solidariedade Social sem fins lucrativos e de reconhecida utilidade pública, cujo objectivo é promover e realizar iniciativas que contribuam para o bem-estar das crianças e das suas famílias.

O principal objectivo da Fundação Infantil Ronald McDonald é a construção da primeira Casa Ronald McDonald em Portugal, que se irá situar junto ao Hospital D. Estefânia, em Lisboa. Uma Casa Ronald McDonald é um espaço destinado a tornar-se "uma casa longe de casa", oferecendo apoio aos familiares das crianças que se deslocam da sua residência habitual para receber tratamento hospitalar prolongado ou ambulatório. As Casas Ronald McDonald constituem um refúgio do hospital, 24 horas por dia, 365 dias por ano, com um ambiente agradável, quartos individuais, cozinha, serviço de lavandaria e brinquedos para as crianças, respondendo à afirmação unânime da classe médica, que o melhor para a rápida recuperação de crianças com doenças graves e prolongadas é o acompanhamento dos pais ou familiares próximos durante os internamentos hospitalares.

Se quiser ajudar, contribua através de um telefonema. Ligue 760 300 405. O custo da chamada é de 0,60 € + IVA.

Em nome das crianças, obrigado.

14 de Junho - Dia Nacional de Luta Contra a Dor

14 de junho de 2007

No dia 14 de Junho, além do Dia Mundial do Dador de Sangue, comemora-se também o dia Nacional de Luta Contra a Dor.

Apesar de ser muitas vezes difícil identificar a dor na criança, sobretudo nas mais pequenas, ela pode na maioria dos casos, segundo especialistas, ser prevenida, tratada ou reduzida graças a medicamentos não dispendiosos e/ou a técnicas não farmacológicas. No entanto, muitas crianças continuam a não receber um tratamento adequado à dor.

É fundamental ter presente que a dor não tratada pode ter efeitos profundos e deixar marcas no desenvolvimento físico e social, além de causar alterações permanentes no sistema nervoso que irão agravar respostas futuras à dor.

Cuidar de uma criança com Dor implica sérios transtornos emocionais e encargos financeiros à família mas, tal como no adulto, a Dor tem um melhor prognóstico quando tratada de imediato. O alívio da dor é um direito de qualquer pessoa e, no que se refere às crianças, esta máxima ganha mais significado quando o sofrimento é causado por ignorância ou receios infundados.

Porque este é também um tema que muito nos sensibiliza, aqui fica o nosso pequeno contributo, para que, como diz o responsável da APED - Associação Portuguesa Para o Estudo da Dor, "o alívio da Dor seja reconhecido como um direito e também como um objectivo geral na melhoria da prestação de cuidados de saúde."

14 de Junho - Dia Mundial do Dador de Sangue

Porque "Dar Sangue é Dar Vida", e muitos de nós sentem isso "na pele" pelos desafios que a vida tem colocado à nossas crianças e jovens, neste Dia Mundial do Dador de Sangue o Criança e Rim deixa uma mensagem especial de profundo reconhecimento a todos os dadores de sangue.

"Para Assinalar o Dia Mundial do Dador de Sangue , o IPS,IP criou um cartaz no qual agradece e presta homenagem a todos os dadores de sangue que de uma forma voluntária e regular contribuem para salvar vidas humanas." (transcrição do site do Instituto Português do Sangue)

E porque há sempre mais alguma coisa para aprender, fazemos o convite: dê uma volta pelo site do Instituto Português no Sangue!

Notícia: Células estaminais não embrionárias

13 de junho de 2007

As investigações e os desenvolvimentos em redor das células estaminais são uma das áreas de interesse do Criança e Rim, pelo impacto que poderão representar no futuro, na recuperação e substituição de orgãos, nomeadamente de rins!

Deixamos aqui mais uma recente notícia - Células estaminais não embrionárias - com indícios e bons sinais de esperança!

Relatório da Comissão Europeia

11 de junho de 2007

Em Maio de 2007 a Comissão Europeia publicou um relatório sobre a opinião dos Europeus em relação à doação de órgãos.

Um exemplo dos dados recolhidos encontra-se na figura seguinte: Estaria disposto a doar os seus órgãos após a sua morte? Em Portugal, 66% dos inquiridos responderam que Sim. Note-se que a média europeia ficou-se pelos 56%.


Consulte aqui o relatório (em Inglês).

Site para consulta: Manual Merck de Saúde para a Família

9 de junho de 2007


A Merck, uma empresa da indústria farmacêutica, disponibiliza no seu site um manual de saúde - Manual Merck de Saúde para a Família - em formato electrónico, em português. De fácil acesso e de fácil utilização, este manual on-line apresenta um mecanismo de pesquisa a partir do qual é possível encontrar múltiplas informações sobre doenças, suas causas e sintomas, e sobre respectivos tratamentos e medicamentos entre outras matérias.

Lei da Transplantação de Órgãos e Tecidos de Origem Humana

7 de junho de 2007

A Susana Carinhas continua "em cima do acontecimento" relativamente à alteração da Lei da Transplantação. Vejam os novos desenvolvimentos no fim do post.

-->10/5/2007

Meus caros amigos e amigas,

Foi com muita satisfação que recebi no dia 09 de Maio de 2007 um email da assessora da Comissão de Saúde da Assembleia da República, Sr. Dr.ª Luísa Veiga Simão, respondendo-me a uma missiva que enviei há mais de 1 ano, questionando a referida Comissão de Saúde acerca da situação em que se encontrava a discussão da Lei de Transplantação de Órgãos e Tecidos de Origem Humana.

A resposta da senhora assessora não podia ser mais positiva e esperançosa para todos os que esperam transplantes! Aqui vai :

"Exma. Senhora
Na qualidade de assessora da Comissão de Saúde, tenho muito gosto em informá-la que a lei relativa à colheita e transplante de órgãos e tecidos de origem humana, que de facto irá permitir que se recorra a dadores vivos fora da família do doente, foi aprovada na Assembleia da República no princípio deste mês, aguardando-se a sua promulgação pelo Presidente da República, após o que será publicada em Diário da República.

Com os melhores cumprimentos
Luísa Veiga Simão"

Pela resposta que me foi enviada - e que eu transcrevi em cima - a solução está agora nas mãos do Sr. Presidente da República.

Esperemos que ele seja célere a promulgar a Lei e que esta entre em vigor o mais rapidamente possível.

-->6/6/2007

Caros amigos

Mais um desenvolvimento no âmbito da Lei da Transplantação de tecidos e órgãos humanos.

Leiam a carta que a Assessora da Comissão de Saúde da Assembleia da República me mandou.

"Exma. Senhora

Na sequência de correspondência anterior, e em nome da Presidente da Comissão Parlamentar de Saúde da Assembleia da República, informo que o Decreto da AR que aprovou a nova Lei relativa à colheita e transplante de órgãos e tecidos de origem humana, que vem alterar a Lei n.º 12/93 de 22 de Abril, foi aprovado em Plenário da Assembleia da República de 26 de Abril e enviado para promulgação do Presidente da República em 28 de Maio. Aguarda-se assim a promulgação deste diploma e consequente publicação em Diário da República.

Com os melhores cumprimentos

Luísa Veiga Simão"

Obrigada, Susana, por continuar a contribuir para o blog e por se manter atenta a esta matéria, tão sensível e importante que é para nós. Continue!

Sabia que... Alimentação de acompanhantes de crianças internadas

4 de junho de 2007


Decreto-Lei n.º 26/87
de 13 de Janeiro

Considerando a conveniência de promover a presença dos pais de crianças internadas em hospitais e outras unidades de saúde, em particular quando o acompanhamento se mostrar especialmente exigente quanto à assiduidade da permanência junto da criança internada;

Considerando a justeza de dar aos pais de crianças internadas condições mínimas de conforto e assistência que lhes permitam desempenhar cabalmente a missão, prioritariamente humanitária, mas também terapêutica, já que se comprova que a sua presença é um estímulo importante para a recuperação das crianças;

Considerando que em algumas situações de maior gravidade o acompanhamento acarreta, na prática, a permanência junto da criança durante longos períodos sem interrupção, com a impossibilidade, inclusivamente, de o acompanhante ter acesso às refeições fora da unidade de saúde durante todo o dia:

Com fundamento na Lei n.º 21/81, de 19 de Agosto:

O Governo decreta, nos termos da alínea a) do n.º 1 do artigo 201.º da Constituição, o seguinte:

Artigo 1.º
1 - Os pais das crianças internadas em unidades de saúde que acompanhem os filhos, ou, na falta ou impedimento dos pais, os familiares ou as pessoas que normalmente os substituam, poderão, nas circunstâncias e casos referidos neste diploma, receber as refeições das instituições onde decorre o internamento nas mesmas condições dos doentes internados.
2 - Entre as condições referidas na parte final do número anterior figura, designadamente, a gratuitidade.

Art. 2.º
Os acompanhantes usufruem do direito enunciado no artigo anterior nos dias em que o acompanhamento durar, pelo menos, seis horas e se estiverem a acompanhar as criança à hora em que normalmente for distribuída a refeição de que se tratar.

Art. 3.º
Os acompanhantes usufruem do direito enunciado no artigo 1.º nos seguintes casos:
a) Enquanto as crianças se encontrarem em perigo de vida;
b) No período pós-operatório, até 48 horas depois da intervenção;
c) No que respeita às mães, sempre que elas amamentem as crianças internadas;
d) Quando as crianças internadas estejam isoladas por razões de critério médico-cirúrgico;
e) Quando os acompanhantes residam a mais de 30 km da povoação onde se situa a unidade de saúde onde decorre o internamento.

Visto e aprovado em Conselho de Ministros de 4 de Dezembro de 1986.

Ineficácia nos hospitais impede 50 transplantes todos os anos

2 de junho de 2007

Ler notícia.

"Reality show" holandês com doação em directo afinal era mentira

Ler notícia.

Chamo a atenção para o seguinte parágrafo:

«Durante mais de hora e meia, cada um dos três "concorrentes" tenta convencer Lisa - a quem foi diagnosticado um tumor cerebral e que tem apenas mais 6 meses de vida - de que é a pessoa mais indicada para receber o seu rim. E por várias vezes Patrick Lodiers [o apresentador] pede às pessoas que consultem a página do canal e preencham o formulário de "dador", aumentando a lista de dadores oficiais de órgãos.»

Se é a forma mais correcta de alertar a opinião pública para a escassez de órgãos para transplante, não me posso pronunciar. Mas a verdade é que trouxe este tema para as bocas do mundo a nível internacional e, segundo esta outra notícia, conseguiu angariar 12 mil dadores de órgãos na Holanda, um dos países com uma das taxas mais baixas de dadores na Europa.

Em Portugal, como já referimos anteriormente, a lei da doação de órgãos post-mortem assenta no conceito de doação presumida, significando que qualquer pessoa adquire o estatuto de dador a partir do momento em que nasce.

Uma história de presente a todas as Crianças com doença renal, no dia da Criança

1 de junho de 2007

A História do menino que tinha uma borbulha

Nada foi deixado ao acaso ou ao improviso para receber o Nuno naquele final de Setembro. Até o mês de nascimento, no fim do Verão, nem frio nem calor, licença de maternidade ampliada pelas férias. Perfeito.

Como perfeita tinha sido a gravidez. Primeiro filho de um casal jovem, ambos saudáveis, não se conhecia também nenhuma doença naqueles quatro, ansiosos por ascender, finalmente, ao estatuto de avós. O seguimento tinha sido meticuloso, com a regularidade aconselhada, todas as recomendações seguidas com rigor, os exames complementares adequados, a vigilância ecográfica habitual dos parâmetros biométricos e morfológicos do feto, a medicação cumprida e as prescrições nutricionais observadas. A normalidade de todos os parâmetros, o passar do tempo sem complicações, a felicidade na face da futura mãe, tornavam serena e deliciosa aquela espera pela chegada do filho e do neto.

O Nuno nasceu de parto eutócico, às quarenta semanas, peso de 3,5 Kgs, 50 cm de comprimento. Chorou de imediato, começou a mamar pouco depois e a observação pediátrica foi como se esperava, o exame físico era perfeitamente normal. Pais e avós, felizes, finalmente “graduados” nas respectivas categorias pelo seu bebé.

Aqueles dias na maternidade são preciosos para a família. Sob o olhar atento e sob a vigilância e orientação dos profissionais, os “recém-graduados”, dão os primeiros passos no desempenho do papel que lhes ocupará a vida daí por diante.

Lá em casa tudo preparado, ensinamentos bem presentes, todo o apoio necessário, a tranquilidade própria das felicidades imensas.

Do programa fazia parte a “picada do pé” e pelo oitavo dia o Nuno foi à maternidade fazer a colheita para o rastreio neo-natal. Os pais estavam felizes, orgulhosos da sua independência no cuidar do Nuno, ansiosos de mostrar isso mesmo aos profissionais.

- Tudo bem?
- Tudo óptimo. Só apareceram ontem umas borbulhas aqui no peitinho mas de resto tudo bem.
- Umas borbulhas? Vamos despir e ver.

Pústulas, no tronco sim ,mas também na face, no couro cabeludo, nos braços.

- Mas ontem só tinha no peitinho.

O aspecto não deixava dúvidas, uma possível infecção estafilocócica, impunha que o Nuno fosse internado para fazer estudo adequado, tratamento por via endovenosa. A sua idade não permitia outra decisão.

Os pais compreenderam que seria algo para alguns dias, estava tudo tão bem, uma pequena complicação.

O grande Hospital meteu medo. Tanta coisa, súbita e inesperada, tanto bebé tão pequenino e frágil, tanta máquina. O Nuno era grande, felizmente, e não estava ligado àqueles aparelhos todos.

- Temos que repetir as análises do Nuno. Discutiu-se na visita…
- Tem uns valores “estúpidos” de ureia e creatinina. Ele está tão bem….

Repetiu-se e confirmou-se. Uma ureia de 156 mg/dl e uma creatinina de 4,89 mg/dl, num recém-nascido são absolutamente invulgares e de inspirar a maior das preocupações em relação à função e sobrevida renal.

Mais exames complementares e diagnostica-se: insuficiência renal crónica congénita por displasia renal. Vistos e revistos os exames pré-natais, liquido amniótico sempre de volume normal, rins presentes bilateralmente, sem dilatações da árvore excretora, bexiga normal.

A médica informa os pais, ciente da gravidade e preparada para a avalanche que estava prestes a desencadear.

- Insuficiência renal? Ureia, creatinina altas? O que é isso? Foi por causa das borbulhas? Não? Então, se não fossem as borbulhas…

- Sim, só o saberíamos dentro de alguns meses quando o Nuno adoecesse com vómitos, ou não crescesse…

- Mas porquê nós? Não pode ser! A negação. A rejeição.
- O que é que eu fiz? Eu segui direitinho tudo o que os médicos disseram! A culpa
- Porque é que o médico não viu isso? A culpa
- O que vai acontecer? O medo. O desconhecido.
- Diálise e transplante? Nesta idade? É possível? Quando? O medo. O desconhecido

A médica colocou aos pais todos os cenários. Questionaram-se em conjunto. Qual seria o menos mau?. Se se tivesse diagnosticado precocemente na gravidez o problema do Nuno, nasceria ele? Se diagnosticado mais tarde, como teria decorrido aquela gestação carregada pela ansiedade da incerteza na sobrevida fetal? E tudo isso comparado com a situação presente?

Mas o Nuno está ali, aparentemente tão bem. Benditas borbulhas, fez-se um diagnóstico mais precoce, pode-se intervir desde já. E há soluções!

- O que podemos fazer? Como podemos ajudar? A aceitação, por final.

A Internet! É isso, a fonte de todas as certezas e de todas as soluções.

A mãe navegou, navegou, informou-se, subscreveu o nephkids, lista para pais de crianças com doença renal moderada por um estudante de medicina, ele próprio transplantado renal. Pais de todo o mundo trocam impressões e informações, ajudam-se, confortam-se.

A médica, meia intrusa, lurker, segue as mensagens do nephkids, diariamente. Aprende a reconhecer o tipo de dúvidas possíveis dos pais, regista o que é útil para outros pais que não navegam em coisa nenhuma. Leu e reconheceu as questões postas pela mãe na lista e a assinalável capacidade de exposição do quadro clínico. Em silêncio, seguia curiosa as respostas, contente com a iniciativa da mãe.

No dia seguinte e em todos os dias seguintes, sorria com uma meia cumplicidade gerada por aqueles encontros nocturnos insuspeitos, antecipando a reacção da mãe à confrontação entre as respostas na Internet e a sua prática.

De todo o mundo e do nosso País a mãe recebeu testemunhos de casos semelhantes ao Nuno. Sim, muitos com passado pré-natal insuspeito. Aquele americano (como é possível, lá?) foi diagnosticado pelos 8 meses quando o peso e comprimento não progrediam. As mães do nephkids tranquilizaram a mãe. Os seus médicos estão a fazer tudo o que deve ser feito…

Confortada com a aprovação no teste da ciberavaliação, a médica escreveu `a mãe, cumprimentou-a pela qualidade da exposição do caso do Nuno e pela atenção recebida da lista.

Desfez o embaraço da mãe, os médicos já estão habituados…a nephkids é uma boa lista, bem moderada, pode e deve continuar, é muito útil. O Messenger? Sim, concerteza, podemos, junte-me lá aos seus contactos. Quem não agradece ao Sr Bill Gates tal benefício? Será que é ele que merece as honras? Nós, “ignorantes anónimos” da informática, desconhecemos os verdadeiros pioneiros como Steve Jobs...

A partir daí, médica e mãe partilham momentos em noites de conversa, que se alarga para lá do que rodeia a saúde do Nuno. No espaço virtual quebraram as barreiras do espaço real, desapareceram a mãe e a médica, ficaram as amigas. Há “Nunos” capazes de coisas assim. Os nossos pequenos doentes, “mini” e às vezes “micro”, podem gerar “macro” atitudes e iniciativas. São os nossos “micro-macro”, quem os não tem no espaço pediátrico?

O diagnóstico ecográfico pré-natal de uropatia malformativa tem cerca de 20 anos. É muito pouco tempo para que esteja totalmente esclarecido se pelo facto de se identificar alterações morfológicas in útero, se consegue determinar a natureza e o significado dessas situações ou mesmo interferir na evolução natural das anomalias detectadas.

Assumem particular relevo, neste contexto, as dilatações da pelve renal, muito frequentes, com uma prevalência aproximada de 4,5 % das gestações. Estas não são uma entidade patológica no sentido restrito mas antes um sinal ecográfico já que podem ser a expressão de um fenómeno transitório ou associar-se a refluxo vesico-ureteral ou obstrução incipiente, entre outros. Sabe-se que menos de 10% destes casos vêm a justificar no futuro procedimentos invasivos designadamente cirúrgicos.

A dúvida em relação aos diferentes e possíveis significados destas dilatações, tem causado e permanece como motivo da maior controvérsia na comunidade científica. Como sempre, o que sobra em dúvidas para os médicos, amplia-se em ansiedade para os pais.

A grande questão actual é saber se se justifica preconizar a realização de exames invasivos, como urografia, cistografia, exames de medicina nuclear, análises, em todas ou algumas destas crianças e ainda submetê-las a profilaxias prolongadas com eficácia ainda não comprovada.

Mais ainda, optar por procedimentos invasivos em crianças totalmente assintomáticas transformadas em doentes à luz dos resultados de exames complementares e envidar por procedimentos invasivos de indicação questionável, quantas vezes por força do marketing científico, de opinião ou mesmo comercial.

O Nuno não tinha qualquer dilatação ecográfica pré-natal e a sua situação é preocupante, das extremas, embora rara. O diagnóstico pré-natal, no seu caso, alteraria o prognóstico? Não. As lesões foram instaladas precocemente in útero e são irreversíveis, como se sabe, pela sua natureza displásica.

Ao contrário, a maior parte das ectasias piélicas não tem significado patológico. Nas que o tiverem a intervenção pós-natal pode interferir na evolução, designadamente pela correcção de obstrução ou diagnóstico e tratamento precoce da infecção urinária, se associada.

Mais do que a dilatação piélica isolada e a sua magnitude, interessa saber reconhecer as dilatações que têm probabilidade de se associar a patologia importante nefro-urológica designadamente as que acarretem risco de compromisso funcional renal como a obstrução. E ter o senso de solicitar o mínimo de exames necessários para o respectivo esclarecimento. Envolver sempre os pais nas decisões como preconiza a Academia Americana de Pediatria na sua secção de Urologia Pediátrica.

Saber e senso, como em tudo.

Os protocolos são úteis. Não podem, todavia, constituir substituto cómodo para o saber e o senso.
Há-os para todas as possibilidades. Estudo pós-natal alargado se as dimensões piélicas forem iguais ou acima de 10mm (protocolo nacional) 15mm (protocolo espanhol) ou 20 mm (reino unido), para já não mencionar as indicações de sim ou não à profilaxia e da duração variável. Os protocolos têm variado ao longo dos anos à medida que a experiência tem conferido segurança e confiança aos clínicos e sempre no sentido de alargar as dimensões para lá das quais se intervém. Como serão daqui por mais 20 anos e qual será o julgamento que nós ou outros, faremos da nossa actuação presente?

Ao estudo indiscriminado, cego, opõe-se e impõe-se a individualização das atitudes com

saber e senso porque, como escreveu Gregório Maraňon

A verdade, a que parece mais firme, não é mais que
o esboço duma verdade mais acabada mas que nunca está completa de todo,
e só assim deve ser interpretada e julgada.


Criança e Rim

1 de Junho - Dia Mundial da Criança

Nunca é demais relembrar os Direitos da Criança:


Contribuição da Prof. Helena Jardim

31 de maio de 2007

A propósito do Dia Mundial Sem Tabaco, recebemos a seguinte contribuição da Prof. Helena Jardim:

"A OMS classifica o tabagismo como uma doença e mais, uma doença e epidemia pediátricas. Cerca de 90% dos fumadores iniciaram a doença antes dos 18 anos de idade. A criança é particularmente exposta e sensível ao fumo passivo e é também do conhecimento comum que crianças com pais fumadores têm maior risco de virem a ser também fumadores.

O tabagismo é uma doença. Felizmente tem tratamento. Mas, como sempre, é mais fácil de prevenir."

31 de Maio - Dia Mundial Sem Tabaco

«Criar com prazer ambientes 100% livres de fumo - 0% de fumo, 100% de liberdade»

A propósito do Dia Mundial Sem Fumo, a Organização Mundial de Saúde lembra as mortes pelo tabagismo e recomenda a total proibição do fumo em locais públicos e no trabalho.

Ler notícia.

Conheça as iniciativas.

Pense na sua Saúde.
Pense na Saúde dos outros
Não fume.
Proteja os seus rins.

Mulher vai escolher em directo quem irá receber os seus rins num reality show na Holanda

30 de maio de 2007

Ler notícia.

A ideia do programa de televisão, por si só, é repugnante. Mas parece já estar a dar frutos! Segundo esta notícia, o impacto do programa levou o comissário europeu para a saúde, Markos Kyprianou, a anunciar hoje uma nova estratégia da União Europeia para combater a escassez de órgãos para transplante.

Site sobre Diálise Peritoneal

29 de maio de 2007

Encontrei este site sobre Diálise Peritoneal, totalmente em Portugês.

É patrocinado pela Fresenius, mas penso que todas as famílias que lidam com a diálise peritoneal (independentemente da empresa que forneça os materiais) podem aprender um bocadinho com este site.

História do Gonçalo

28 de maio de 2007

O Gonçalo nasceu no dia 17 de Setembro de 2003, após 9 meses de uma gravidez perfeitamente normal. O choque foi total quando, por mero acaso, soubemos, durante a primeira semana de vida que sofria de uma grave doença renal, que mais cedo ou mais tarde implicaria a diálise e/ou transplante. A doença foi detectada no seguimento de umas análises ao sangue para despistagem de uma possível infecção que estaria a surgir na pele. Foram feitos mais alguns exames complementares e o diagnóstico foi Insuficiência Renal Crónica (IRC) congénita por displasia renal bilateral (rins mal formados). Quis o destino que só o soubéssemos nestas circunstâncias e, por um lado, ainda bem, já que pudemos tratar desde logo a IRC e evitar a diálise durante algum tempo. Este momento, que jamais esqueceremos, foi como se caísse uma montanha sobre nós. Tínhamos entrado no hospital com um bebé supostamente saudável e, de repente, um diagnóstico tão aterrador. Um turbilhão de sentimentos apoderava-se de nós. O medo do futuro, a angústia, o desespero, desilusão, tanta incerteza…

A doença não tardou muito em manifestar-se. Começou pela falta de apetite (não querer mamar), os vómitos, que ao início pensava serem aqueles simples bolçar dos bebés, as disfunções electrolíticas, etc. Começou desde então a tomar medicamentos para corrigir estas disfunções, bem como suplementos nutricionais para compensar a falta de apetite, os quais eram misturados com o leite.

Desde o dia em que nasceu que posso afirmar com muita certeza (pelo menos até ao transplante), que foram poucos os dias de vida em que o Gonçalo não tivesse vomitado vezes sem conta, mas nós, com mais ou menos paciência, nunca desistimos… Sabíamos que tínhamos de fazer o possível e o impossível para evitar que se concretizasse a ameaça da sonda nasogástrica para o alimentar, e que pairava no ar desde que ele nasceu. O apetite… Nunca soubemos o significado dessa palavra com o nosso filho. Tínhamos de o alimentar quase à força, não havia nada que gostasse a não ser água. Enquanto mãe, um dos meus maiores desejos sempre foi amamentar e foi extremamente difícil aceitar que o meu filho até o meu leite rejeitava. Mas não desisti, passei os meses que me foram possíveis a extrair o leite com uma bomba e a dar-lhe sempre como prioridade. Depois, haviam os medicamentos a várias horas, os suplementos, mais tarde as injecções da Eritropoietina, etc. Conseguimos evitar a diálise até aos 15 meses de idade, quando de repente, o Gonçalo começou a rejeitar completamente a comida, apenas bebia água e pouco mais. Estivemos assim mais de uma semana. Até que chegou o inevitável, a diálise. Ainda hoje me lembro desse momento como sendo dos piores momentos da minha vida… Confesso que me custou mais ouvir isso (talvez porque nesta altura já estava suficientemente informada para saber aquilo que iríamos passar), do que ouvir, quando lhe foi diagnosticada a IRC, que mais cedo ou mais tarde a solução para o seu problema passaria pela Diálise e Transplante. No fundo, na fase inicial havia sempre a esperança, a esperança de que a natureza eventualmente se encarregaria de corrigir aquilo que na gestação tinha corrido mal.

No dia 7 de Fevereiro de 2005 foi colocado o cateter de Diálise Peritoneal. Felizmente tudo correu bem e foi possível avançar com este tipo de diálise. Tive formação durante sensivelmente uma semana para aprender a manusear todo o equipamento e, aos poucos, a nossa casa tornava-se num mini-hospital. Eram as máscaras, os líquidos, os cuidados extremos com a higiene ao preparar a diálise, os pensos, etc. Os resultados foram tardando a chegar, o apetite não melhorou e tivemos de fazer outra opção, de igual modo muito difícil, que foi a colocação da sonda nasogástrica (em Março de 2005). Hoje, por muito que me custasse vê-lo naquela situação, reconheço que foi a melhor decisão que tomámos. Passado pouco tempo, iniciamos a alimentação entérica nocturna, em que, através de uma bomba de perfusão, é administrado leite (ou outro tipo de alimentação líquida) em quantidades muito reduzidas, controlado pela máquina. Esta alimentação permitia-lhe ingerir calorias adicionais, que de outra forma não conseguiria. À noite, tínhamos de o ligar à máquina da diálise e, simultaneamente, à bomba de alimentação, pelo que eram fios por todo o lado, alarmes constantes das máquinas, enfim. Aos poucos, nós próprios e ele íamo-nos adaptando à sua nova condição.

Devo dizer que, infelizmente, constatei que o Estado não estava disposto a ajudar estas crianças, que muito precisam de apoio nutricional. Começando pelos suplementos nutricionais, não comparticipados e a um preço acessível a muito poucos, até às próprias bombas de alimentação insuficientes para o número de crianças que delas necessitam. Depois, os próprios sistemas descartáveis, utilizados nas bombas, que tinham de ser mudados a cada 2/3 dias, com cada um a custar cerca de 3 €. O próprio apoio médico nutricional tive de o procurar fora da rede hospitalar pública, já que o do hospital era mais que insuficiente. No entanto, olhando para trás, não me restam dúvidas que, foi sobretudo esta vigilância e seguimento nutricional rigoroso que nos permitiu tê-lo em tão bom estado para a grande cirurgia que esperávamos não tardar. Efectivamente, ele começou a ganhar peso, a crescer melhor, não apresentando grande atraso face a uma criança saudável da sua idade. Essa era a nossa grande motivação, além da esperança que tínhamos na melhor alternativa possível para o seu problema: o transplante. O nosso objectivo foi sempre evitar a diálise e fazer o transplante quando surgisse a necessidade da diálise, mas infelizmente, quando surgiu esta necessidade ele ainda não tinha o peso “mínimo” dos 10 Kgs.

A partir daí o nosso objectivo foi fazer o transplante o mais breve possível e nas melhores condições possíveis. Dado que o melhor rim possível é o de um dador vivo, não tive dúvidas que essa seria a nossa opção, se algum de nós fosse compatível. Iniciei logo que me foi permitido os exames para averiguar da nossa compatibilidade, que se revelaram positivos. O meu marido nem iniciou esses testes uma vez que possuía cálculos renais que o excluíam. Informar era a palavra de ordem e, aos poucos, fomos percebendo que em Portugal não seria possível transplantá-lo com a brevidade que pretendíamos e, por outro lado, que não havia experiência de transplante de dador vivo em crianças de baixo peso. Assim sendo, o Gonçalo foi colocado em lista de espera de cadáver (embora de forma condicional, devido a uma nefrectomia bilateral que era suposto fazer).

Entretanto, surgiu a hipótese de irmos a Madrid, ao Hospital La Paz, que sabíamos ter muita experiência em transplantes, sobretudo com crianças pequenas. E assim foi, ao fim de sensivelmente 5 meses tínhamos a data do transplante: 10 de Maio de 2006. O Gonçalo recuperou de forma incrível, surpreendeu tudo e todos com a sua força. Ao fim de 4 dias eu tive alta e ele ao fim de 9. Felizmente tudo correu maravilhosamente bem e é inexplicável a alegria que sentimos ao vermos o nosso filho começar a comer ao fim de tantos meses pela sua própria boca. Parecia um verdadeiro milagre. Ele recuperou imediatamente o apetite, embora tivesse de usar a sonda por mais três meses, sobretudo por questões de ingestão dos líquidos suficientes para manter uma boa hidratação. Hoje é uma criança com uma vida o mais normal possível, super feliz e bem disposta. Actualmente toma 4 medicamentos por dia e faz análises uma vez por mês. Quanto a mim, sinto-me exactamente igual a quando tinha os meus 2 rins e faria exactamente o mesmo para melhorar a qualidade de vida do meu filho.

Só quem passa pela experiência de ver uma criança com Insuficiência Renal Terminal passar pelo transplante consegue “valorizar”, se é que isso é possível, a melhoria da sua qualidade de vida. Já sabemos que o transplante não é a cura, mas sem dúvida, que é a melhor opção de tratamento possível.

Os médicos demoram em média 17 anos a aplicar uma nova descoberta científica

26 de maio de 2007

Uma notícia que dá que pensar...

Ler aqui.

Sabia que... Pode reduzir a dor e a ansiedade relacionadas com as "picas"?

25 de maio de 2007

Embora já exista há bastante tempo, sei que esta técnica ainda não é utilizada com a regularidade desejada. Refiro-me à possibilidade de se anestesiar temporariamente a zona que vai ser "picada", quer seja para retirar sangue para análises, quer seja para administrar injecções ou colocar acessos IV.

Os nossos meninos, em média, realizam análises uma vez por mês, mas em determinadas situações, pode ser mais frequente. O meu filho, por exemplo, e como aqui já foi referido, recebe uma injecção diariamente. Felizmente, foram poucas as vezes que esteve internado com necessidade de medicação intravenosa, mas também já aconteceu, e a primeira delas era ainda um bebé prematuro. Um bebé ou uma criança pequena não compreende porque é que tem que ser picado. Não compreende porque é que os pais, supostamente os seus melhores amigos, o "empurram" para essa situação. Porque é que os pais não os defendem. Mesmo para nós, que compreendemos a situação, é horrível assistir (e colaborar) no sofrimento de um filho.


Felizmente começam a ser criados produtos que podem ajudar nesta situação. Penso que em Portugal o mais utilizado é o EMLA. Em Portugal, o EMLA existe em duas apresentações: creme e penso impregnado. O preço aproximado é de 6€ por dois pensos, mas muitos hospitais facilitam o seu fornecimento. Não se esqueça de pedir ao seu médico ou enfermeiro, na próxima visita ao hospital!!

Noutros países existem outros produtos, com acção mais rápida e forma de aplicação mais prática, como sprays. Resta-nos aguardar que cheguem a Portugal!

Criopreservação: Sim ou Não?

24 de maio de 2007

Afirmações controversas do Dr. Manuel Abecassis, presidente da Organização Portuguesa de Transplantação e Director da Unidade de Transplante de Medula Óssea do Instituto Português de Oncologia, em Lisboa.

Estas afirmações foram proferidas no Congresso Português de Medicina da Reprodução e referem-se à criopreservação, isto é, a preservação das células estaminais do cordão umbilical imediatamente após o nascimento de um bebé, com a esperança de que possam servir mais tarde para curar determinadas doenças de que esse bebé/pessoa possa vir a padecer.

Leia aqui a notícia.

(In)Compatibilidade dos Tecidos

23 de maio de 2007

Transplante e compatibilidade são inevitavelmente palavras associadas. Para haver um transplante tem de haver compatibilidade, quer de sangue, quer de tecidos. Como já aqui foi referido num post anterior, é já possível realizar em determinadas circunstâncias, transplantes com dadores de sangue incompatíveis.

Além da compatibilidade sanguínea (ABO), é também avaliada, através de uma simples análise ao sangue, a compatibilidade dos tecidos (HLA). Os antigénios HLA (antigénios leucocitários humanos) são glicoproteínas presentes nas membranas de quase todas as células do corpo (células nucleadas). Esses antigénios estão em concentração especialmente elevada na superfície dos glóbulos brancos (leucócitos).

De modo geral, metade dos antigénios HLA de uma pessoa corresponde à metade dos antigénios HLA maternos, e a outra metade corresponde à metade dos antigénios HLA paternos. Ora, o melhor dador será (em princípio) aquele que tiver compatibilidade de sangue e simultaneamente melhor semelhança face ao receptor ao nível dos antigénios HLA.
O nosso organismo possui dois conjuntos destes antigénios (cientificamente denominados de Haplotipos), herdados dos nossos progenitores. No caso em que os progenitores possuam um antigénio idêntico, o seu descendente herdará então apenas um deles. Neste caso, não existirá compatibilidade entre um dos pais e o filho.

Outro exame, de extrema importância, e que é efectuado momentos antes do transplante é a Prova cruzada ou crossmatch. Trata-se de uma análise ao sangue, em que se irá procurar anticorpos pré-existentes no soro do receptor, dirigidos contra as células do dador.
Aquilo que se pretende é que este teste seja negativo, ou seja, que o receptor não tenha anticorpos contra aquele dador em particular e portanto, que pode receber dele um qualquer órgão. Estes anticorpos podem surgir por diversos motivos, normalmente com transfusões sanguíneas, com transplantes anteriores, ou até mesmo com uma gravidez.

Os doentes que estão em lista de espera para transplante fazem periodicamente (em princípio, a cada 2/3 meses) várias análises para detectar estes anticorpos.
Os medicamentos imunosupressores que os transplantados têm de tomar ad eterno servem precisamente para minimizar estas barreiras imunológicas e garantir a maior sobrevivência possível do enxerto (órgão).
Ver mais informação aqui e aqui.

Hiperfosfatemia em Doentes em Diálise

22 de maio de 2007

No suplemento Saúde Pública do dia 5 de Maio, surge um Dossier Especial de Nefrologia. Um dos artigos parece-me bastante importante para quem está ou tem familiares em diálise, pelo que passo a transcrever uma parte:

«As complicações decorrentes da Doença Renal Crónica (DRC)

A insuficiência renal, resultante da DRC, define-se como uma situação em que o funcionamento dos rins está comprometido. Quando a função renal se encontra diminuída, os resíduos tóxicos do organismo, que deveriam ser excretados pela urina, ficam retidos no organismo, provocando distúrbios metabólicos.

A hiperfosfatemia (aumento dos níveis de fósforo no sangue) é uma situação resultante do mau funcionamento renal, que a diálise não resolve eficazmente. Os níveis sanguíneos de fósforo elevados, associado ao excesso de aporte de cálcio nestes doentes, resultam na formação de depósitos de cálcio nos vasos sanguíneos e tecidos moldes de vários órgãos, nomeadamente o coração.

“Sabe-se que as calcificações cardiovasculares se relacionam com a presença de níveis sanguíneos de fósforo e cálcio elevados”, afirma o Prof. João Frazão, assistente hospitalar de Nefrologia do Hospital de S. João e professor auxiliar convidado de Medicina da Faculdade de Medicina do Porto.

As calcificações cardiovasculares, em insuficientes renais crónicos, aumentam a rigidez das artérias e interferem com a circulação sanguínea, pelo que estão ligadas a um aumento da mortalidade e morbilidade.

“Estudos realizados em doentes prevalentes em diálise, sugerem que as calcificações estão presentes em mais de 80% dos casos”, salienta a Dra. Teresa Adragão, assistente hospitalar graduada de Nefrologia do Hospital de Santa Cruz.

Doença óssea e risco cardiovascular

A glândula paratiroideia segrega uma hormona que regula os níveis de sanguíneos de cálcio e fósforo no organismo. Contudo, quando o funcionamento dos rins está alterado, todo este equilíbrio metabólico mineral se encontra afectado, levando ao desenvolvimento da doença óssea renal.

Os doentes com insuficiência renal afectados pela doença óssea renal, para além de terem a remodelação óssea comprometida, são ainda potenciais candidatos à calcificação vascular.

“Duas situações extremas podem associar-se à hiperfosfatemia e ao aumento do produto fosfo-cálcico, contribuindo para o risco de calcificação cardiovascular e dos tecidos moles nestes doentes: o hipoparatiroidismo, em que o osso adinâmico é incapaz de captar o cálcio e o fósforo em circulação no sague, e o hiperparatiroidismo, em que o próprio osso liberta fósforo para a circulação”, salienta Teresa Adragão, acrescentando: “Os dados de um estudo português nesta matéria sugerem o papel contributivo da baixa remodelação e volume ósseos para as calcificações cardiovasculares nos doentes em diálise e reforçam a hipótese de ligação entre doença óssea e calcificações cardiovasculares.”

Combater a hiperfosfatemia

O tratamento de doentes renais crónicos implica um grande desafio, não só pelas complicações inerentes à própria doença, como pelo elevado risco de eventos cardiovasculares e mortalidade que esta patologia comporta. Muito embora seja uma única forma de substituir a função renal, a diálise não consegue eliminar eficazmente o fósforo do organismo e, por este motivo, a hiperfosfatemia é uma complicação muito frequente nestes doentes.

“O carbonato de cálcio (captadores de fósforo com cálcio) é uma das terapêuticias utilizadas na redução da hiperfosfatemia em doentes dialisados. No entanto, dado que o cálcio se relaciona com o aumento das calcificações, é um tratamento que se tem vindo a utilizar cada vez menos”, afirma Teresa Adragão.

Um estudo publicado em Janeiro de 2007, e apresentado pelo Prof. João Frazão nesta reunião, comparou o efeito do sevelamer (um captador de fósforo sem cálcio) aos captadores de fósforo com cálcio na progressão das calcificações cardiovasculares e no risco de mortalidade em doentes a iniciar um programa de diálise regular. Os resultados deste ensaio clínico apontam para um benefício clínico significativo do sevelamer, quando comparado com captadores à base de cálcio, uma vez que se observa uma diminuição da progressão das calcificações e também da mortalidade”, salienta João Frazão.»

Este artigo deixa-me algumas questões, como por exemplo:

  • Este medicamento (sevelamer) já é comercializado? É adequado a crianças?
  • Existem exames para avaliar a calcificação cardiovascular, ou é apenas por exames indirectos?

Fórum Criança e Rim

19 de maio de 2007

View my Message Board
Free Forums by Bravenet.com

Como referimos anteriormente, o objectivo principal deste blog é o de aproximar a comunidade que, de alguma forma, lida com as Crianças e Jovens com doença renal. Para isso, foi fundamental criar um fórum de discussão online.

Relembramos que essa funcionalidade está activa, tendo a participação aumentado ultimamente! No lado direito do blog, acedam através de View my Message Board.

Participem!

Diálise: Um negócio lucrativo!!

17 de maio de 2007

  1. A Baxter apresenta um relatório financeiro do primeiro trimestre bastante forte e revê as expectativas anuais em alta.
    Ler notícia (em Inglês).

  2. A Fresenius Medical Care aumenta o lucro do primeiro trimestre em 38%.
    Ler notícia.

  3. A Gambro Healthcare, empresa que possui 160 clínicas de diálise na Europa (cerca de 18 em Portugal), América do Sul, Ásia e Austrália, é comprada pela Bridgepoint, devido ao seu enorme potencial de crescimento de negócio.
    Ler notícia (em Inglês).

Transplante renal com dador vivo: Nefrectomia por laparoscopia

16 de maio de 2007

A operação para extracção de um rim para doação chama-se Nefrectomia. Esta pode ser efectuada da forma tradicional com uma grande incisão na parte lateral do abdómen ou por via laparoscópica.

Esta última técnica cirúrgica, relativamente recente, permite às pessoas doarem um rim, com muito menos dor, uma estadia hospitalar mais curta e uma recuperação muito mais rápida. Além disso, os rins extraídos desta forma muito menos traumática funcionam tão bem quanto aqueles que são extraídos pela grande incisão da nefrectomia tradicional.

A escassez de órgãos para transplante tem provocado um aumento relativamente significativo dos transplantes de rim com dador vivo. Normalmente a extracção do rim para doacção é feita por nefrectomia tradicional. No entanto, com a nova técnica de extracção do rim de dador vivo por laparoscopia, minimamente invasiva, associam-se vantagens significativas face à abordagem mais tradicional. Os benefícios potenciais incluem menos dor, menos tempo de hospitalização(entre 2-3 dias, versus 5-7 na nefrectomia tradicional), regresso mais rápido a uma vida normal (16 dias contrastando com 51 dias, em média, na cirurgia tradiconal), e menos cicatrizes (logo melhor aspecto estético).

A cirurgia tradicional implica por norma uma incisão lateral, que pode variar entre 20 e 23 cm, mesmo por baixo ou ao longo da 12ª costela. Trata-se de um procedimento extremamente seguro (mortalidade/óbitos em média de 0,03%) e permite obter um rim que está em óptimas condições. Contudo, a morbilidade (complicações) ainda é substancial.

A cirurgia laparoscópica para extração de um rim é efectuada de modo semelhante a outras cirurgias laparoscópicas. O dador está sob anestesia geral e fica posicionado de lado. A cavidade abdominal é enchida com gás, normalmente dióxido de carbono, o que permite criar um espaço entre a parede abdominal e os órgãos que estão dentro. Usando pequenas incisões na pele(podem variar entre 0,5 e 1,2cm), são inseridos pequenos tubos onde são inseridos os instrumentos cirúrgicos, bem como micro câmaras. A incisão por onde é extraído o rim pode ter até 6 cm na zona periumbilical ou supra-púbica. Estas pequenas incisões estão associadas a uma morbilidade mínima e o resultado cosmético é excelente. Ao evitar uma longa incisão sobre os músculos, muitos problemas pós-operatórios são eliminados (infecções, hérnias, quelóides) e a dor é significativamente reduzida.

A operação do dador, por via laparoscópica, dura entre 3 a 4 horas, enquanto que a do receptor dura cerca de 3 horas. Normalmente, ao fim de 3 ou 4 dias o dador pode regressar a casa.

Por experiência própria, posso dizer que a recuperação neste tipo de cirurgia não poderia ser melhor.

Sem dúvida que este poderá ser um factor encorajador para que mais pessoas optem por doar um rim em vida.

Veja aqui um vídeo de uma nefrectomia por via laparoscópica.

15 de Maio - Dia Internacional da Família

15 de maio de 2007

A 20 de Setembro de 1993, a Assembleia Geral da ONU proclamou o dia 15 de Maio como o DIA INTERNACIONAL DA FAMÍLIA a assinalar anualmente, declarando a Família como “a pequena democracia no coração da sociedade”. O ano que se seguiu, 1994, foi o Ano Internacional da Família.

O objectivo foi promover a reflexão mundial, chamando a atenção dos governos, responsáveis por políticas locais e famílias, para a importância e o papel da Família como núcleo vital da sociedade, reforçando os seus direitos e responsabilidades.

O tema do Ano Internacional da Família em 1994 foi "Família, Capacidades e Responsabilidades num Mundo em transformação".

Passam hoje 13 anos após a comemoração do 1º Dia Internacional da Família, e o apelo à reflexão sobre o tema mantem-se fundamental, se não mesmo urgente!

Para ajudar, deixamos a mensagem do Secretário-Geral da ONU (Kofi Annan) por ocasião do Dia Internacional da Família em 2006, que sugere uma reflexão global e abrangente sobre as famílias de hoje e do futuro!

Sabia que... Os seus medicamentos fora de uso ainda têm valor?

Em nome da Saúde, mas também do Ambiente, os medicamentos fora de uso, porque deles já não necessitamos ou porque estão fora de prazo, e até as embalagens vazias, devem ser entregues nas farmácias, a partir de onde serão encaminhados para um destino seguro. Sem riscos para as pessoas e para a natureza.

Esta mensagem é importante sobretudo para nós, pois lidamos com muitos medicamentos no nosso dia-a-dia, alguns dos quais têm uma validade apertada. Quer as embalagens vazias, quer os desperdícios de medicamentos não utilizados, devem ser devolvidas a uma farmácia.

No entanto, também era importante que, à semelhança do que se faz noutros países, também em Portugal os fabricantes e/ou as farmácias, pudessem dispensar apenas a quantidade de medicamento necessário para resolver uma doença pontual. Quantas vezes nos fornecem uma embalagem da qual aproveitamos nem metade do medicamento? É desperdício de dinheiro para nós, utentes, para o Estado, caso o medicamento seja comparticipado e uma ameaça para o ambiente, pois trata-se de mais um resíduo que é necessário tratar.

Colaboremos na parte que nos é possível!

Saiba mais aqui.

Recuperação do Diogo

14 de maio de 2007

É com enorme satisfação que divulgamos as esperançosas novidades sobre a evolução do Diogo (bébé do post de 9 de Maio). O seu tio Paulo fez-nos saber que o Diogo, embora tenha iniciado diálise peritoneal logo após o nascimento, recuperou a função renal alguns dias depois, mantendo-se actualmente num estado de evolução muito positiva.

Ficam aqui os sinceros votos da equipa Criança e Rim de que os próximos dias se traduzam numa rápida recuperação e estabilização da função renal do Diogo, e que todo o processo do início da sua vida não tenha passado de um “mau pesadelo” para os pais e família!

Aos Pais do Diogo, e família que partilha as preocupações e ansiedades dos Pais, desejamos muita força, coragem e felicidades!

Ao Diogo desejamos rápida recuperação, muitas felicidades, e que possa deixar o hospital o mais brevemente possível, para se instalar no espaço que os seus Pais certamente lhe prepararam, em sua casa!

Site interessante

12 de maio de 2007

Para quem tem interesse em saber o que se passa por trás de um laboratório de análises clínicas, após a recolha de sangue ou outro material orgânico, eis um site que pode interessar:

http://www.medicallab.pt/

Ao Gonçalo no 1º Aniversário do Transplante

10 de maio de 2007

Meu filho,

Neste dia especial, quero escrever-te umas palavras que com certeza irás ler quando um dia o souberes fazer. Hoje temos muitas razões para comemorar, não fazemos anos de vida, mas fazemos um ano de uma nova vida. Uma nova vida que se iniciou no dia 10 de Maio de 2006, quando se concretizou o maior dos meus sonhos, precisamente oferecer-te uma nova vida. Uma vida bem melhor do que aquela que tinhas desde que nasceste. Uma vida tão normal quanto possível.

Agora, não me lembro dos dias em que vomitas, antes eram raros os dias em que não vomitavas. Antes comias por uma sonda. Agora és um comilãozinho que tem prazer em comer. Antes estavas ligado a duas máquinas durante 10 horas à noite, dormias enrolado em fios e o teu quarto parecia um mini-hospital. Antes não crescias, agora estás enorme e esbelto. Antes levavas uma pica todos os dias. Antes não podias ir à piscina, agora foste pela 1ª vez e não tenho palavras para descrever a alegria que senti por ver-te tão feliz. Antes fazias um penso na barriguinha todos os dias, agora brincas a toda a hora. Antes mal podias ir à praia, agora vamos fazer as nossas primeiras férias de praia. Como podemos nós não ter razões para comemorar? Sinto-me tremendamente feliz. As lágrimas de alegria correm-me pela face e não as consigo conter.

Quero que saibas que o facto de ter contribuído para a tua (e nossa) nova vida, me torna ainda mais feliz. Obrigada por me teres ensinado a valorizar os pequenos pormenores da vida. Por me teres tornado uma pessoa mais forte e mais humana, com o teu exemplo de força e coragem. És o meu HERÓI! Cada dia que passa amo-te mais…como se isso ainda fosse possível…eu que pensava que já te amava o mais que podia.

Cada dia que passa estás mais lindo. O teu sorriso, os teus beijinhos, o teu carinho fazem-me transbordar de felicidade.

Comemoremos este ano de tamanha alegria e brindemos a muitos mais!

Adoro-te Gonçalinho!

Boas Vindas ao Diogo e aos Pais

9 de maio de 2007

Caras Mães, Caros Pais

Por favor dêem comigo as boas vindas ao Diogo e aos seus Pais.

O Diogo é um grande rapaz que nasceu ontem com insuficiência renal crónica congénita. Esta é uma expressão que já não é um bicho de sete cabeças para vós. Mas lembram-se como foi na altura em que os vossos filhos tiveram um diagnóstico semelhante? Para vós já nada é novo.

Mas é tudo novo para o Diogo e para os Pais.

Lembram-se como era bom ter com quem partilhar vivências e experiências de situações comuns?

Por vossa iniciativa agora temos o blog para receber os novos doentes e outras iniciativas virão para minorar o medo do desconhecido.

O Diogo e os Pais contam connosco e nós estamos cá.

Reportagem RTP

No domingo passado, a propósito do Dia da Mãe, passou na RTP uma reportagem realizada no Serviço de Nefrologia Pediátrica do Hospital de Santa Maria.

A reportagem pode ser vista aqui. Começa no minuto 57:30 (cá em baixo devem arrastar a barrinha verde quase até ao fim).

Parabéns a mais esta mãe pelo seu acto de coragem! Bem-haja! Desejamos ao Ricardo e à Guida Maria uma rápida recuperação!

Dextrinomaltose

7 de maio de 2007

De entre os variados desafios e as múltiplas dificuldades que se apresentam à criança IRC e respectiva família, e que se prendem com os encargos financeiros adicionais que a situação acarreta, destacamos hoje um em especial, pelo que tem de comum com todas ou quase todas as famílias com crianças insuficientes renais crónicas (IRC) por um lado, e também pela estranheza e quase ridículo da situação por outro!

Todos sabemos que muitas crianças IRC, em particular as que estão em programa de diálise peritoneal, devem incluir na sua alimentação diária um suplemento nutricional de hidratos de carbono à base de dextrinomaltose, por forma a suprir necessidades calóricas que apenas através da alimentação normal são muito difíceis de atingir. Este suplementos, dos quais conhecemos em Portugal duas marcas principais, de dois fabricantes diferentes, são o Resource, do fabricante Novartis e o Fantomalt, do fabricante Nutricia; apresentam-se na forma de um pó branco muito fino, quase sem sabor, que pode ser dissolvido na alimentação em forma de papa ou sopa, ou em líquidos como o leite, água ou sumos, por exemplo. A sua utilização é simples, e cada família encontra variadas formas e momentos para incluir este suplemento na alimentação da criança IRC.


As dificuldades começam quando se trata de adquirir o produto, e a questão começa mesmo aqui: este suplemento, em Portugal, é adquirido nas farmácias e não é comparticipado. A segunda dificuldade é obtê-lo: na maioria das farmácias este produto apenas existe por encomenda, isto é, deve ser encomendado antecipadamente e um ou dois dias depois deve telefonar-se a confirmar se está disponível para levantamento. Chegam, então, as dificuldades finais: a factura! O Resource tem um preço que varia aproximadamente entre 28€ e 32,5€ cada caixa de 500gr, dependendo da farmácia onde é adquirido! Se for o Fantomalt, podemos encontrar preços entre 13,5€ e 17€ cada lata de 400gr, mais uma vez dependendo da farmácia onde é adquirido! (Deixamos aqui a ressalva de que estes valores foram obtidos pela minha própria experiência e de outras famílias em múltiplas farmácias de Lisboa e Porto, não estando pois salvaguardada a hipótese de outros valores mais baixos ou mais altos serem praticados noutras farmácias do nosso país).

Tendo em conta que uma criança, mesmo que ainda pequena (com menos de 2 anos), pode facilmente consumir 50gr por dia deste suplemento, estamos a falar de uma despesa mensal mínima de 50,65€, mas que pode chegar aos 97,5€. Como e que famílias podem conviver com este esforço financeiro? E não apenas durante alguns dias mas sim meses, frequentemente anos!
Mas o pior (ou melhor dependendo da perspectiva....) ainda está para vir: já aqui ao lado, na nossa vizinha Espanha, adquire-se, também por encomenda nas farmácias, um “caixote” de 3 Kg de Resource (6 caixas de 500gr) por aproximadamente 33€, podendo adquirir-se cada caixa de 500gr por apenas 4,64€! Uma lata de Fantomalt em Espanha adquire-se por cerca de 9€.

Já não é surpresa encontrar produtos (medicinais, nuticionais e alimentares entre outros), mais baratos em Espanha, mas este caso é simplesmente inexplicável! O Resource é, em Portugal, seis vezes mais caro do que em Espanha! O que poderá justificar esta diferença de preços?

O estado nuticional de muitas crianças em Portugal, e seu consequente desenvolvimento depende do acesso a suplementos nuticionais como estes complementos calóricos. Disso são exemplo as crianças com IRC, e daí o nosso contacto com esta realidade, no entanto muitas outras famílias, com crianças com outras patologias, vivem as mesmas dificuldades apresentadas.

Não nos sendo possível fazer muito mais, deixamos algumas questões, a quem tiver nas mãos a capacidade, o poder e a vontade de fazer algo para aliviar algumas das dificuldades das nossas famílias:
  • o que fazer para que estes suplementos sejam comparticipados pelo Estado?
  • o que fazer para adquirir o Resource em Portugal, no máximo ao mesmo preço que se adquire em Espanha?