Hospitais britânicos proíbem mangas compridas e gravatas

19 de setembro de 2007

Como forma de evitar a propagação de infecções hospitalares, os hospitais britânicos vão proibir os profissionais de saúde de usarem gravatas, mangas compridas, bijutaria, entre outros adereços, de acordo com as novas regras recentemente divulgadas.

Ler notícia.

Reportagem RTP

15 de setembro de 2007

Hoje, a propósito de um contacto estabelecido pelo Criança & Rim, passou na RTP uma reportagem sobre a descomparticipação de alguns medicamentos pediátricos, tomados por muitas das crianças com doença renal. Esta reportagem consistiu, entre outros aspectos, numa entrevista realizada à Prof. Helena Jardim, bem como a uma mãe do nosso Fórum, a Célia Costa.

A reportagem pode ser vista AQUI. Começa no minuto 13:57 (cá em baixo devem arrastar a barrinha verde).

Parabéns aos intervenientes e obrigada por nos ajudarem a divulgar esta questão que preocupa as famílias das crianças com doenças renais!

Sabia que...? O Modelo Espanhol

14 de setembro de 2007

Já ouvimos dizer que Espanha é o país campeão na colheita de órgãos para transplante. Espanha já é mesmo considerado um modelo a seguir pela Organização Mundial de Saúde e o seu "modelo" tem vindo a ser adoptado (ou adaptado) por diversos outros países.

Este modelo permitiu que Espanha passasse de 14 dadores de órgãos (post-mortem) por milhão de habitantes para 34,6 dadores. É, de longe, o país com mais dadores de órgãos! (Portugal tem 22,2 dadores por milhão de habitantes)

Em que consiste, então, este modelo espanhol? Antes de mais, há que referir que engloba aspectos legais, económicos, políticos e médicos, todos os quais contribuem, à sua maneira, para o sucesso do sistema.

Pontos básicos que definem o modelo espanhol:

  1. Três níveis de coordenação. A organização da coordenação encontra-se estruturada em 3 níveis: nacional, regional e hospitalar.

  2. Conselho Interterritorial como organismo coordenador e de tomada de decisões. A coordenação nacional e regional devem constituir um "interface" entre os níveis puramente administrativos e os profisisonais. Todas as decisões técnicas são tomadas por consenso, numa Comissão formada pelos responsáveis da coordenação nacional e de cada uma das regiões (Conselho Interterritorial).

  3. Coordenador só a tempo parcial. O coordenador hospitalar costuma ser um médico que ocupa este lugar apenas a tempo parcial.

  4. Dependência hierárquica. O coordenador hospitalar deve trabalhar dentro do mesmo hospital e depender hierarquicamente da direcção do mesmo (não da equipa de transplante).

  5. Coordenação funcional. O coordenador deve estar vinculado funcionalmente à coordenação regional e nacional.

  6. Coordenadores oriundos de UCIs. É conveniente que os coordenadores trabalhem nas unidades de cuidados intensivos, pela maior probabilidade de implicação activa na doação de órgãos.

  7. Programa de qualidade. Os coordenadores de transplantes devem realizar um programa de qualidade de doação de órgãos, uma auditoria contínua de morte cerebral nas unidades de cuidados intensivos.

  8. A Organización Nacional de Transplantes como agência de serviços. A sede da ONT consiste numa agência de serviços, que proporciona apoio a todo o sistema. Isto implica a distribuição de órgãos, a organização dos transportes, a gestão das listas de espera, as estatísticas, a informação geral e especializada e, em geral, qualquer acção que possa contribuir para melhorar o processo de doação e transplante. O apoio que a sede e as delegações regionais prestam, é muito importante, sobretudo para os pequenos hospitais, nos quais não é possível realizar todo o processo de forma independente.

  9. Grande esforço na formação contínua. Tanto dos coordenadores como de grande parte do pessoal hospitalar, é fundamental uma formação contínua, verdadeiramente mantida no tempo, através de cursos gerais e específicos sobre cada um dos passos do processo: identificação de dadores, aspectos legais, entrevista familiar, aspectos organizativos, gestão, comunicação...

  10. Reembolso hospitalar. Seria impensável realizar a actividade de transplantes em pequenos hospitais, se não fosse através do reembolso hospitalar, por parte das respectivas administrações, que devem financiar desta forma as actividades de obtenção e transplante de órgãos.

  11. Meios de comunicação. Prestar muita atenção aos meios de comunicação, compreendendo os tempos em que se gere a informação e a forma mais útil de os atender, é vital para que se consiga uma difusão adequada, que permita melhorar o conhecimento da população sobre a doação e o transplante de órgãos. Algumas medidas importantes ao longo de vários anos têm sido a realização de reuniões periódicas com equipas de informação, cursos de formação em comunicação para coordenadores, bem como uma atitude rápida de gestão de publicidade adversa e de situações de crise.

  12. Legislação adequada. É uma condição indispensável dispor de uma legislação adequada, com uma clara definição de morte cerebral, das condições de colheita de órgãos, a ausência de motivação económica, etc.

Para saber mais, consulte o site da Organización Nacional de Transplantes.

Crianças com Doença Renal Crónica: Dicas para os pais

12 de setembro de 2007

Ser pai é um desafio. Ser pai de uma criança com uma doença séria e crónica, tal como a insuficiência renal, é um desafio ainda maior.

Podemos sentir que o nosso mundo está fora de controlo, ou que o seu controlo está nas mãos de outros. Quer seja diagnosticado com insuficiência renal crónica (IRC) numa fase inicial da doença, quer seja em diálise ou mesmo no pós-transplante, as famílias e as crianças devem encontrar uma forma de introduzir a questão médica nas suas vidas da forma mais pacífica possível, prestando constante atenção, mas dando também prioridade a outras necessidades de uma criança em crescimento.

Se o seu filho foi diagnosticado com uma doença renal crónica, a família estará sem dúvida afligida e preocupada. Estes sentimentos são normais. Mas, uma vez que perceba que a doença do seu filho é um problema que terá de aceitar, pode desenvolver algumas formas práticas de lidar com o dia-a-dia da doença.

Aqui ficam algumas dicas:

1. Aprenda sobre a doença e os seus tratamentos

  • Aprenda tanto quanto possível sobre a doença do seu filho, bem como sobre os possíveis tratamentos. Passe esta informação à criança, caso ela já tenha idade para a compreender. Se não tiver ainda, adapte a informação à idade da criança. Ficará surpreendido pela capacidade de aprendizagem das crianças, mesmo as mais novas. Muitas vezes elas aceitam com mais facilidade estas informações do que um adulto.
  • Encoraje a criança a fazer perguntas, não só a si, mas também aos médicos, enfermeiros e quaisquer outros profissionais de saúde. Muitas vezes a criança fará perguntas que tão pouco passaram pela sua cabeça ou mesmo que teve receio de questionar por achar que seriam absurdas.
  • Não tente explicar à criança mais do aquilo que ela pode entender, mas não minta e não peça desculpa por quaisquer tratamentos ou procedimentos que tenham de ser seguidos.
  • Ajude a criança a compreender que, quer os médicos, enfermeiros, assistente social, pessoal de laboratório, etc., estão todos do seu lado. Todos querem que o seu filho se sinta melhor, mesmo que isso signifique que por instantes ela tenha de ter dores ou desconforto temporário.

2. Participe activamente nos cuidados ao seu filho

  • Desenvolva um espírito de respeito mútuo e cooperação com os profissionais de saúde.
  • Escreva todos os pormenores do historial clínico do seu filho, incluindo as datas. Desta forma será mais fácil quando, por exemplo, pretender consultar um novo médico.
  • Tente estar com a sua criança durante os tratamentos e hospitalizações tanto tempo quanto possível. Se não puder estar presente arranje que possa, tal como uma avó, outro parente ou mesmo um amigo da família. Procure levar um brinquedo favorito, um livro ou mesmo o cobertor preferido da criança.
  • Se a sua criança não fala ainda poderá ser uma boa ideia entregar umas notas ao pessoal que cuida dela com informação importante, tais como a comida favorita, brinquedos especiais, horas preferidas para e a melhor forma de tomar a medicação.

3. Ajude a criança a ter controlo sobre a doença

  • Tente manter uma rotina diária normal, mesmo em caso de hospitalização

  • Ajude-a a compreender como funciona o hospital, gabinetes médicos, diálise, etc. Ao ajudá-la a compreender os lugares cheios de máquinas esquisitas e assustadoras estará a contribuir para diminuir muito do medo que a criança sentirá.
  • Seja criativo a encontrar maneiras para que a sua criança participe nos seus próprios tratamentos. Desta forma ela sentirá que possui muito mais controlo e auto-confiança.

4. Ajude o seu filho a compreender e aceitar as restrições dietéticas

  • Mesmo uma criança com 2 ou 3 anos consegue compreender o significado de uma "dieta", se tal lhe for explicado de forma simples. Na maioria das vezes, uma criança aceita e cumpre melhor as restrições dietéticas do que um adulto.

  • Faça com o seu filho uma lista dos seus alimentos preferidos e mostre-a à dietista. Leve o seu filho consigo quando questionar a médica sobre se estes alimentos podem ser inseridos na dieta da criança.

  • Nunca use subornos ou force a criança a comer. Estas tácticas raramente funcionam e, na maior parte das vezes, transformam a hora da refeição numa experiência verdadeiramente desagradável.

5. Não deixe que os horários da medicação "estraguem" o seu dia

  • Adopte uma atitude pragmática e determinada. Mesmo as crianças mais pequenas conseguirão engolir um comprimido, por pior sabor que tenha, se souberem que não têm outra solução.
  • Um bom truque para dar a medicação às crianças mais pequenas é usar seringas, sem a parte da agulha, claro. Por um lado, conseguirá medir o medicamento de forma mais correcta, e por outro, poderá dá-lo directamente na boca da criança sem ter de colocá-lo numa colher (com comida) ou num copo de medicamento. A vantagem é que, desta forma, a criança não consegue cheirar ou provar o medicamento.
  • A criança não tem qualquer direito a escolher se tem que tomar ou não o medicamento. No entanto, poderá dar-lhe a escolher (se possível) o local, a hora e a forma de o tomar.
  • Uma vez feita a escolha do horário da toma dos medicamentos, adapte a vossa vida a esse mesmo horário e procure cumpri-lo sempre. É mais fácil de lidar com as coisas más quando sabemos quando elas vão acontecer e não as adiamos.
  • Algumas vezes a medicação deve ser dada à refeição. No entanto, tente não a dar à mesa onde a criança come. Escolha outro lugar não associado com comida e bebida, tal como a sala ou o quarto, enquanto a criança está distraída a ver televisão, por exemplo.
  • Uma outra "arma" ao seu dispor é ter à mão uma quantidade abastada de água (simples). Se a sua criança está com restrição de líquidos, a água será muito apreciada, por isso reserve parte da ingestão de líquidos para a altura da toma dos medicamentos.

6. Partilhe a sua experiência com outros

  • Não se deixe isolar. Fale com os profissionais de saúde bem como com outras famílias com crianças com doenças renais.

  • Não hesite em pedir ajuda a familiares e amigos. O mais certo é que o queiram fazer mas muitas vezes não saberão como, ou estão estão à espera que lhes peça ajuda. Partilhar a sua experiência ajudá-lo-á a encontrar formas de lidar com ela. Esta foi aliás uma das grandes motivações para a criação deste Blog, já que no nosso Fórum, além do email e contacto telefónico, pode dar-nos o seu testemunho, partilhar os seus anseios, aprender com outras famílias.

Fonte: National Kidney Foundation

Deflux - Tratamento para o Refluxo Vesicoureteral

10 de setembro de 2007


O Deflux® é um produto utilizado actualmente para a correcção do refluxo vesicoureteral. O refluxo vesicoureteral define-se pelo fluxo de urina desde a bexiga para o ureter ou para o ureter e rim através da junção uretero-vesical, que normalmente deveria ser estanque (consultar artigo da Prof. Helena Jardim para mais informação sobre o RVU).

Este refluxo surge porque o orifício que une o ureter à bexiga é anormalmente largo. O método clássico de correcção do refluxo consiste em fazer a reimplantação do ureter, isto é, fechar esse orifício e recolocar o ureter noutro ponto da parede vesical (da bexiga), com um orifício menor. No entanto, desde finais dos anos 90 que surgiu esta nova técnica, o Deflux, que consiste em injectar um gel por via endoscópica, reduzindo a abertura do orifício e criando uma espécie de válvula, que impede que a urina flua de novo para o ureter e/ou para o rim.

A cirurgia é muito menos invasiva do que a técnica clássica, o que significa um tempo de recuperação menor, com resultados bastante satisfatórios. No caso do meu filho, que possuía refluxo bilateral, parece que foram ambos resolvidos com recurso ao Deflux. A cirurgia foi feita em ambulatório, o que significa que teve alta no mesmo dia da operação. Teve anestesia geral, mas todo o procedimento durou cerca de 1 hora e poucas horas depois já estava de volta ao normal.

Ler artigo sobre a infecção urinária na criança.

Para mais informações, consulte o site do Deflux®.

NOTA: No momento em que escrevo este artigo, o site do Deflux não está disponível. Em substituição, sugiro a leitura deste folheto, dos Children’s Hospitals and Clinics of Minnesota.

Transplantados portugueses conquistam quatro medalhas nos Jogos Mundiais para Transplantados

7 de setembro de 2007

Pela primeira vez, a comitiva portuguesa, composta por sete atletas submetidos a transplante, conquistou medalhas: Rui Santos (transplante renal) conquistou ouro e prata na natação, Miguel Monteiro (transplante cardíaco) conquistou a medalha de ouro no ténis, e Jorge Carreto (transplante renal) conquistou a medalha de prata no contra-relógio.

A equipa era composta por 7 atletas, todos com um transplante de rim ou de coração, pertencentes ao Grupo Desportivo de Transplantados de Portugal.

A estes bravos atletas, os nossos PARABÉNS!!

Entidade Reguladora da Saúde

6 de setembro de 2007

A ERS é uma entidade de regulação e supervisão do sector da prestação de cuidados de saúde.

Tem como principais atribuições:

  • A regulação e a supervisão da actividade das entidades prestadoras de cuidados de saúde.

  • Assegurar o direito de acesso universal e equitativo de todos ao serviço público de saúde, bem como zelar pelo respeito da liberdade de escolha nas unidades de saúde privadas

  • A ERS deverá ainda, em colaboração com a Autoridade da Concorrência, garantir a concorrência entre os prestadores de cuidados de saúde

  • Compete-lhe também a avaliação dos indicadores de qualidade dos cuidados de saúde prestados, bem como o acompanhamento do cumprimento das obrigações inerentes à acreditação dos estabelecimentos e serviços.

  • A ERS poderá dar parecer e emitir recomendações sobre o funcionamento do sistema de saúde

A ERS recomendou ao Ministro da Saúde a adopção de um sistema de preço compreensivo para os pagamentos às clínicas de hemodiálise. Este preço deverá incluir o transporte dos doentes, cuja contratação passaria a ser da responsabilidade da entidade prestadora dos serviços de hemodiálise. Recomendou ainda a revisão da afectação dos utentes por centros de hemodiálise, de modo a aferir da racionalidade das práticas de referenciação, na óptica da defesa dos interesses dos utentes.

Ler o Relatório sobre o serviço de hemodiálise em Portugal

Nova técnica para nefrectomia em transplante de dador vivo

5 de setembro de 2007

O Rush University Medical Center, em Chicago (EUA) começou a realizar transplantes renais de dador vivo, recorrendo a um sistema de robot de alta definição, o da Vinci S HD Surgical System, para retirar o rim do dador. Esta técnica permite fazer a nefrectomia com maior precisão, com um tempo de restabelecimento menor para o paciente e recorrendo a incisões mais pequenas.

Ler notícia.

Notícia: Astellas aposta num "novo" Prograf

4 de setembro de 2007

A produtora farmacêutica Astellas, que produz o Prograf (medicamento imunosupressor), está a prever uma nova fórmula do referido medicamento como forma de proteger-se das vendas, uma vez que o prazo da patente termina já no próximo ano.

O que está em causa é uma nova versão, se assim lhe podemos chamar, do medicamento para ser tomado uma única vez, contrariamente ao que acontece actualmente, já que o Prograf deve ser tomado duas vezes ao dia.

Nos EUA a nova versão do medicamento está ainda em análise, após terem sido pedidos esclarecimentos adicionais pela FDA (Food and Drug Administration), enquanto que no Reino Unido e na Alemanha o novo medicamento, chamado Advagraf, foi já autorizado. A empresa japonesa diz ter já fornecido informação adicional sobre os transplantados hepáticos e espera poder fornecer sobre os renais até final do ano.

Esta pode ser uma forma de melhorar ainda mais a qualidade de vida dos transplantados, uma vez que reduziria a toma de um dos principais imunosupressores para apenas uma vez ao dia. Aquilo que esperamos é que, para bem dos doentes, esta nova versão tenha a mesma eficácia que a versão conhecida como Prograf. Por outro lado, esperamos que o Estado não se lembre, com o aparecimento do genérico do Prograf, de descomparticipar tão importante medicamento.

Ler notícia (em inglês).

103 doentes morreram à espera de rim

3 de setembro de 2007

Ler notícia.

Recomendações no Pós-Transplante

30 de agosto de 2007

Para o sucesso de um transplante é fundamental que o doente cumpra alguns cuidados que normalmente constituem as recomendações da equipa médica. No universo pediátrico obviamente que deverão ser os pais a implementar estes cuidados procurando incutir desde logo responsabilidades à criança no que toca à sua saúde.

As recomendações dietéticas são basicamente as mesmas que para qualquer pessoa que pretenda ter uma vida saudável, tais como:
  • Dieta variada e equilibrada, rica em frutas e verduras

  • Beber líquidos de forma abundante (a quantidade dependerá, entre outros factores, da idade e peso da criança), sobretudo água.

As medidas de higiene geral, que se devem extremar, sobretudo pela maior susceptibilidade a infecções (vírus, bactérias, fungos, etc), são:

  • Lavar muito bem as mãos, sobretudo antes e após as refeições, idas à casa de banho e quando a criança chega a casa;

  • Evitar espaços fechados, com muita gente e cheios de fumo;

  • Evitar o contacto com pessoas doentes;
No início é recomendado o uso de máscara nos locais fechados.

Por outro lado, e sendo que esta recomendação depende da opinião da equipa médica, em princípio as crianças devem ausentar-se da escola/infantário nos primeiros 3 meses pós-transplante (esta foi a recomendação que nos foi dada).

Também se recomenda que a criança transplantada faça exercício físico de modo regular, sendo de evitar os desportos de contacto e violentos. Devem ainda evitar uma exposição intensa ao sol, usando sempre cremes com factor protecção elevado.

Relativamente a vacinas, são necessários alguns cuidados, nomeadamente:

  • A criança deve seguir o calendário previsto para a sua idade, embora se recomende que sejam aguardados 6 meses depois do transplante para ser vacinado.

  • Deve vacinar-se anualmente contra a gripe.

  • Muito importante: estão contraindicadas todas as vacinas de vírus vivos (vacina tríplice vírica, varicela, polio oral, etc).

Podem consultar este Manual de Transplante Renal (escrito em português, embora do Brasil)para o período pós-transplante que, apesar de destinado ao universo dos adultos, se aplica na grande maioria às crianças.

Finalmente, nunca é demais relembrar que em caso de dúvida devem consultar o médico assistente.

Stanford e Imunosupressão sem corticóides

24 de agosto de 2007

A U. de Stanford e o Lucille Packard foram internacionalmente quem primeiro transplantou sem corticóides. Vejam abaixo o trabalho que a M. Sarwal vai apresentar na próxima semana em Budapeste. A notícia publicada está em relação com este trabalho, seguramente. Tenho imenso gosto em ter conhecido a autora e visitado a Unidade de Nefrologia Pediatrica do Hospital de Lucille Packar em Palo Alto, um hospital pediátrico ligado por um túnel ao Hospital de adultos ao lado.

A pergunta que sempre lhes oiço fazer é: "E a longo prazo, qual é a sobrevida dos enxertos??". Difícil de saber, mas todo o mundo está com os olhos postos na experiência de Stanford que, para já, não tem sido muito seguida nos outros centros. É promissor ver que, dar mais ou menos imunosupressores, pode estar relacionado com os genes de cada um. Mas isso vai ser o futuro para a maioria das doenças. Cabe aqui recordar que "não há doenças, há doentes".

292 (SY)
Steroid Avoidance: a Reality for Pediatric Transplantation
M. Sarwal
Division of Pediatric Nephrology at Stanford University, Stanford, United States

Immunosuppression minimization strategies, under the umbrella of a newer generation of more powerful induction and maintenance immunosuppressants, are being increasingly applied to pediatric organ transplantation, with the greatest emphasis on minimization of steroids and calcineurin inhibitor agents. Safe elimination of these steroids carry unprecedented advantages for reducing patient morbidity and chronic graft injury, but may also result in unanticipated changes in immunological homeostasis and drug pharmacokinetics, heralding closer surveillance for posttransplant infections and alterations in drug bioavailability and dosing, as well as break-through immunologic responses. In single center studies, pediatric renal transplantation appears safe without steroids. Daclizumab first dose doubling and extended use for 6 months replaces steroids effectively without evidence of over-immunosuppression, and may be the pivotal causative for the reduced acute rejection seen in the face of steroid avoidance. This pilot protocol has been tested in a prospective, multicenter randomized US and Canadian study.

Estudo sugere que alguns transplantados poderão viver sem terapia imunossupressora

Um estudo apresentado esta semana permitiu identificar um conjunto de indivíduos que possuem uma determinada combinação genética que lhes permite tolerar novos órgãos, com pouca ou mesmo nenhuma imunossupressão a longo prazo.

Minnie Sarwal, responsável pelo estudo e nefrologista pediátrica do Hospital Pediátrico Lucile Packard (EUA) comenta: "Estamos muito entusiasmados com estes resultados. A maioria dos transplantados que param a medicação acabam por rejeitar o novo órgão. Mas agora podemos dizer-lhes que é possível minimizar a sua exposição a estes medicamentos."

Os medicamentos que combatem a rejeição, conhecidos como imunossupressores, enfraquecem o sistema imunitário o suficiente para permitir que o organismo aceite os novos órgãos, mas este benefício tem um preço: estes medicamentos também diminuem a capacidade de o organismo reagir de forma natural a "invasores perigosos", como bactérias, vírus e células cancerígenas. Tomar imunossupressores é como caminhar numa fronteira muito ténue entre evitar a rejeição do órgão e aumentar o risco de infecções e cancros.

Ler notícia completa (em inglês).

Exames em Nefrologia: AngioTAC

21 de agosto de 2007

Iniciamos hoje uma nova "rubrica" no nosso blog, que consiste em fazer uma explicação de que tipo de exames se realizam em Nefrologia. Como eu ontem fui fazer um AngioTAC, como parte do meu processo de avaliação como potencial dadora de um rim ao meu filho, passo a explicar, na primeira pessoa, em que consiste o exame.

Primeiro, tive que estar em jejum de qualquer comida ou bebida durante 4 horas. Antes do exame despi-me da cintura para cima e vesti uma bata. Quando entrei na sala de exames, perguntaram-me se tinha algumas alergias ou asma.

Deitei-me na máquina e fui picada na veia, embora não tivessem injectado nada naquele momento, apenas fiquei com o acesso. A seringa com o contraste é ligada a um injector automático, que só é activado mais tarde. Depois deitei-me, com os braços para cima da cabeça, como na foto.


Depois deixaram-me sozinha. A marquesa onde estava deitada ia andando para a frente e para trás. De vez em quando diziam-me para suster a respiração, mas era rápido. A enfermeira tinha-me avisado que o contraste ia fazer uma sensação de calor, mas como eu não senti nada no princípio, pensei que afinal não seria nada de especial. Sensivelmente a meio do exame, ela avisou-me que agora é que ia começar a sentir calor. Então dispararam o injector automático e o contraste começou a correr. Desde a garganta até à bexiga senti, então, uma sensação de calor um bocadinho indescritível, especialmente no braço de onde vinha o contraste. É um bocado sufocante, até porque temos que estar imóveis, mas passa rápido. Quando comecei a achar que não ia aguentar mais, o calor passou. Depois disso, a marquesa ainda andou mais umas vezes para trás e para a frente e pouco depois o exame acabou. Entrou de novo a enfermeira, retirou-me a seringa e... fui comer! Sentia-me muito bem, não fiquei com nenhuns efeitos do exame.

Este AngioTAC é usado hoje em dia, em substituição da Angiografia (Angiograma?) e serve para visualizar pormenorizadamente os vasos sanguíneos que conectam os rins. A máquina gera uma imagem tridimensional dos rins e da anatomia que os rodeia.
Em geral, os cirurgiões preferem retirar o rim esquerdo, porque possui uma artéria renal mais comprida, mas podem existir complicações estruturais detectadas por este exame, que possam indicar na direcção do rim direito.

Mais informações sobre o AngioTAC aqui e aqui.

Mais informações sobre exames pré-transplante para o dador aqui.

Informações úteis

19 de agosto de 2007

Um dia destes fui ao Centro de Histocompatibilidade do Sul, como vou trimestralmente, e deram-me um "Manual do Utente", com a seguinte informação, que passo a partilhar, pois nunca é demais lembrar:

O que o candidato a transplante renal deve saber:

  • O doente/utente tem direito à confidencialidade de todos os dados do seu processo.
  • Pode inscrever-se a nível nacional em apenas duas das seguintes unidades de transplante:
  1. Centro
    Hospitais da Universidade de Coimbra Tel: 239 400 400
  2. Norte
    Hospital de Santo António Tel: 222 077 500
    Hospital de São João Tel: 225 027 151
  3. Sul
    Hospital da Cruz Vermelha Tel: 217 714 000
    Hospital de Santa Cruz Tel: 214 163 400
    Hospital Curry Cabral Tel: 217 805 000
    Hospital de Santa Maria Tel: 217 805 000
    Hospital Garcia da Orta Tel: 212 940 294
  • Deverá chegar ao Centro de Histocompatibilidade trimestralmente (ou 15 dias após uma transfusão) uma amostra de sangue colhida no centro de hemodiálise, ou o doente terá de se deslocar ao centro, acompanhado com a respectiva requisição de análise.
  • O candidato a transplante deve informar qualquer alteração (morada, contactos ou centro de hemodiálise), para que o seu processo esteja sempre actualizado.

ICE

16 de agosto de 2007

Recebi hoje um daqueles mails que circula por aí e a que raramente atribuimos importância mas este acho que tem interesse. Vem recomendado pelo INEM e por corporações de bombeiros que aconselham o seguinte:

Em situação de urgência ou acidente muitas pessoas têm consigo o telemóvel, mas é difícil saber no meio de todos os números quais são os contactos dos familiares. Assim, o INEM sugere que todos tenhamos na nossa lista sob a designação ICE (designação internacional In Case of Emergency) o número da pessoa a quem avisar. Se houver mais do que uma deve pôr-se ICE1, ICE2, ICE3, etc, por ordem de prioridades.

Acho isto muito sensato e particularmente no caso de famiíias como as nossas, com elementos que devem ser adequadamente socorridos em caso de emergência.

Operação Nariz Vermelho


A Associação Nariz Vermelho é uma associação sem fins lucrativos constituída em 2002, com o propósito de assegurar de forma contínua um programa de intervenção dentro dos serviços pediátricos dos hospitais portugueses, através da visita de palhaços profissionais. Estes artistas, têm formação especializada no meio hospitalar e trabalham em estreita colaboração com os profissionais de saúde, realizando actuações adaptadas a cada criança e a cada situação.

Neste momento a Associação garante visitas semanais, durante 42 semanas por ano, aos 8 hospitais abrangidos pelo programa. A equipa de artistas é constituída por 15 Doutores Palhaços e nos bastidores trabalham 6 profissionais.

O meu filho esteve recentemente internado e, apesar de não gostar de palhaços, a sua passagem pela enfermaria nunca nos ficava indiferente e era sempre motivo de conversa. O meu filho estava em situação de isolamento, pelo que não podia receber visitas, mas eles sempre encontraram forma de interagir. A mais original foi desenhar (às avessas) um palhaço com uma mensagem, na janela do quarto do meu filho (pelo lado do corredor da enfermaria). Estava lindo! Aos Doutores Palhaços, obrigada pela vossa presença e pelo vosso presente!

Se quiser e puder, saiba aqui como pode ajudar os Doutores Palhaços!

The Cruellest Cut - Pakistan's Kidney Mafia (Reportagem)

11 de agosto de 2007

A Susana Carinhas recomendou-nos esta reportagem sobre as máfias de transplante no Paquistão. Impressionante!

Reportagem sobre Tráfico de Órgãos

9 de agosto de 2007

Ontem, no Jornal 2 da RTP passou uma reportagem sobre o tráfico de órgãos para transplante. Cliquem aqui para a visualizar. Começa logo no início do programa.

P.S. Obrigada à Prof. Helena pela dica !

Curiosidade

7 de agosto de 2007

Doador ou dador?

[Pergunta] Diz-se doador de sangue ou dador de sangue?

[Resposta] Dador (aquele que dá) e doador (aquele que doa) são sinónimos. Em Portugal, cristalizou-se a expressão dador de sangue – atestada mesmo no Dicionário da Porto Editora: «indivíduo que dá sangue para tratamento de doentes e sinistrados» –, soando-nos estranha a expressão «doadores de sangue»; em contraponto, e sem nenhuma razão lógica, parece preferir-se a forma «doadores de órgãos» a «dadores de órgãos», mas, bem vistas as coisas, tudo vai dar ao mesmo.

Fonte: Ciberdúvidas da Língua Portuguesa