14 de Junho - Dia Nacional de Luta Contra a Dor

14 de junho de 2007

No dia 14 de Junho, além do Dia Mundial do Dador de Sangue, comemora-se também o dia Nacional de Luta Contra a Dor.

Apesar de ser muitas vezes difícil identificar a dor na criança, sobretudo nas mais pequenas, ela pode na maioria dos casos, segundo especialistas, ser prevenida, tratada ou reduzida graças a medicamentos não dispendiosos e/ou a técnicas não farmacológicas. No entanto, muitas crianças continuam a não receber um tratamento adequado à dor.

É fundamental ter presente que a dor não tratada pode ter efeitos profundos e deixar marcas no desenvolvimento físico e social, além de causar alterações permanentes no sistema nervoso que irão agravar respostas futuras à dor.

Cuidar de uma criança com Dor implica sérios transtornos emocionais e encargos financeiros à família mas, tal como no adulto, a Dor tem um melhor prognóstico quando tratada de imediato. O alívio da dor é um direito de qualquer pessoa e, no que se refere às crianças, esta máxima ganha mais significado quando o sofrimento é causado por ignorância ou receios infundados.

Porque este é também um tema que muito nos sensibiliza, aqui fica o nosso pequeno contributo, para que, como diz o responsável da APED - Associação Portuguesa Para o Estudo da Dor, "o alívio da Dor seja reconhecido como um direito e também como um objectivo geral na melhoria da prestação de cuidados de saúde."

14 de Junho - Dia Mundial do Dador de Sangue

Porque "Dar Sangue é Dar Vida", e muitos de nós sentem isso "na pele" pelos desafios que a vida tem colocado à nossas crianças e jovens, neste Dia Mundial do Dador de Sangue o Criança e Rim deixa uma mensagem especial de profundo reconhecimento a todos os dadores de sangue.

"Para Assinalar o Dia Mundial do Dador de Sangue , o IPS,IP criou um cartaz no qual agradece e presta homenagem a todos os dadores de sangue que de uma forma voluntária e regular contribuem para salvar vidas humanas." (transcrição do site do Instituto Português do Sangue)

E porque há sempre mais alguma coisa para aprender, fazemos o convite: dê uma volta pelo site do Instituto Português no Sangue!

Notícia: Células estaminais não embrionárias

13 de junho de 2007

As investigações e os desenvolvimentos em redor das células estaminais são uma das áreas de interesse do Criança e Rim, pelo impacto que poderão representar no futuro, na recuperação e substituição de orgãos, nomeadamente de rins!

Deixamos aqui mais uma recente notícia - Células estaminais não embrionárias - com indícios e bons sinais de esperança!

Relatório da Comissão Europeia

11 de junho de 2007

Em Maio de 2007 a Comissão Europeia publicou um relatório sobre a opinião dos Europeus em relação à doação de órgãos.

Um exemplo dos dados recolhidos encontra-se na figura seguinte: Estaria disposto a doar os seus órgãos após a sua morte? Em Portugal, 66% dos inquiridos responderam que Sim. Note-se que a média europeia ficou-se pelos 56%.


Consulte aqui o relatório (em Inglês).

Site para consulta: Manual Merck de Saúde para a Família

9 de junho de 2007


A Merck, uma empresa da indústria farmacêutica, disponibiliza no seu site um manual de saúde - Manual Merck de Saúde para a Família - em formato electrónico, em português. De fácil acesso e de fácil utilização, este manual on-line apresenta um mecanismo de pesquisa a partir do qual é possível encontrar múltiplas informações sobre doenças, suas causas e sintomas, e sobre respectivos tratamentos e medicamentos entre outras matérias.

Lei da Transplantação de Órgãos e Tecidos de Origem Humana

7 de junho de 2007

A Susana Carinhas continua "em cima do acontecimento" relativamente à alteração da Lei da Transplantação. Vejam os novos desenvolvimentos no fim do post.

-->10/5/2007

Meus caros amigos e amigas,

Foi com muita satisfação que recebi no dia 09 de Maio de 2007 um email da assessora da Comissão de Saúde da Assembleia da República, Sr. Dr.ª Luísa Veiga Simão, respondendo-me a uma missiva que enviei há mais de 1 ano, questionando a referida Comissão de Saúde acerca da situação em que se encontrava a discussão da Lei de Transplantação de Órgãos e Tecidos de Origem Humana.

A resposta da senhora assessora não podia ser mais positiva e esperançosa para todos os que esperam transplantes! Aqui vai :

"Exma. Senhora
Na qualidade de assessora da Comissão de Saúde, tenho muito gosto em informá-la que a lei relativa à colheita e transplante de órgãos e tecidos de origem humana, que de facto irá permitir que se recorra a dadores vivos fora da família do doente, foi aprovada na Assembleia da República no princípio deste mês, aguardando-se a sua promulgação pelo Presidente da República, após o que será publicada em Diário da República.

Com os melhores cumprimentos
Luísa Veiga Simão"

Pela resposta que me foi enviada - e que eu transcrevi em cima - a solução está agora nas mãos do Sr. Presidente da República.

Esperemos que ele seja célere a promulgar a Lei e que esta entre em vigor o mais rapidamente possível.

-->6/6/2007

Caros amigos

Mais um desenvolvimento no âmbito da Lei da Transplantação de tecidos e órgãos humanos.

Leiam a carta que a Assessora da Comissão de Saúde da Assembleia da República me mandou.

"Exma. Senhora

Na sequência de correspondência anterior, e em nome da Presidente da Comissão Parlamentar de Saúde da Assembleia da República, informo que o Decreto da AR que aprovou a nova Lei relativa à colheita e transplante de órgãos e tecidos de origem humana, que vem alterar a Lei n.º 12/93 de 22 de Abril, foi aprovado em Plenário da Assembleia da República de 26 de Abril e enviado para promulgação do Presidente da República em 28 de Maio. Aguarda-se assim a promulgação deste diploma e consequente publicação em Diário da República.

Com os melhores cumprimentos

Luísa Veiga Simão"

Obrigada, Susana, por continuar a contribuir para o blog e por se manter atenta a esta matéria, tão sensível e importante que é para nós. Continue!

Sabia que... Alimentação de acompanhantes de crianças internadas

4 de junho de 2007


Decreto-Lei n.º 26/87
de 13 de Janeiro

Considerando a conveniência de promover a presença dos pais de crianças internadas em hospitais e outras unidades de saúde, em particular quando o acompanhamento se mostrar especialmente exigente quanto à assiduidade da permanência junto da criança internada;

Considerando a justeza de dar aos pais de crianças internadas condições mínimas de conforto e assistência que lhes permitam desempenhar cabalmente a missão, prioritariamente humanitária, mas também terapêutica, já que se comprova que a sua presença é um estímulo importante para a recuperação das crianças;

Considerando que em algumas situações de maior gravidade o acompanhamento acarreta, na prática, a permanência junto da criança durante longos períodos sem interrupção, com a impossibilidade, inclusivamente, de o acompanhante ter acesso às refeições fora da unidade de saúde durante todo o dia:

Com fundamento na Lei n.º 21/81, de 19 de Agosto:

O Governo decreta, nos termos da alínea a) do n.º 1 do artigo 201.º da Constituição, o seguinte:

Artigo 1.º
1 - Os pais das crianças internadas em unidades de saúde que acompanhem os filhos, ou, na falta ou impedimento dos pais, os familiares ou as pessoas que normalmente os substituam, poderão, nas circunstâncias e casos referidos neste diploma, receber as refeições das instituições onde decorre o internamento nas mesmas condições dos doentes internados.
2 - Entre as condições referidas na parte final do número anterior figura, designadamente, a gratuitidade.

Art. 2.º
Os acompanhantes usufruem do direito enunciado no artigo anterior nos dias em que o acompanhamento durar, pelo menos, seis horas e se estiverem a acompanhar as criança à hora em que normalmente for distribuída a refeição de que se tratar.

Art. 3.º
Os acompanhantes usufruem do direito enunciado no artigo 1.º nos seguintes casos:
a) Enquanto as crianças se encontrarem em perigo de vida;
b) No período pós-operatório, até 48 horas depois da intervenção;
c) No que respeita às mães, sempre que elas amamentem as crianças internadas;
d) Quando as crianças internadas estejam isoladas por razões de critério médico-cirúrgico;
e) Quando os acompanhantes residam a mais de 30 km da povoação onde se situa a unidade de saúde onde decorre o internamento.

Visto e aprovado em Conselho de Ministros de 4 de Dezembro de 1986.

Ineficácia nos hospitais impede 50 transplantes todos os anos

2 de junho de 2007

Ler notícia.

"Reality show" holandês com doação em directo afinal era mentira

Ler notícia.

Chamo a atenção para o seguinte parágrafo:

«Durante mais de hora e meia, cada um dos três "concorrentes" tenta convencer Lisa - a quem foi diagnosticado um tumor cerebral e que tem apenas mais 6 meses de vida - de que é a pessoa mais indicada para receber o seu rim. E por várias vezes Patrick Lodiers [o apresentador] pede às pessoas que consultem a página do canal e preencham o formulário de "dador", aumentando a lista de dadores oficiais de órgãos.»

Se é a forma mais correcta de alertar a opinião pública para a escassez de órgãos para transplante, não me posso pronunciar. Mas a verdade é que trouxe este tema para as bocas do mundo a nível internacional e, segundo esta outra notícia, conseguiu angariar 12 mil dadores de órgãos na Holanda, um dos países com uma das taxas mais baixas de dadores na Europa.

Em Portugal, como já referimos anteriormente, a lei da doação de órgãos post-mortem assenta no conceito de doação presumida, significando que qualquer pessoa adquire o estatuto de dador a partir do momento em que nasce.

Uma história de presente a todas as Crianças com doença renal, no dia da Criança

1 de junho de 2007

A História do menino que tinha uma borbulha

Nada foi deixado ao acaso ou ao improviso para receber o Nuno naquele final de Setembro. Até o mês de nascimento, no fim do Verão, nem frio nem calor, licença de maternidade ampliada pelas férias. Perfeito.

Como perfeita tinha sido a gravidez. Primeiro filho de um casal jovem, ambos saudáveis, não se conhecia também nenhuma doença naqueles quatro, ansiosos por ascender, finalmente, ao estatuto de avós. O seguimento tinha sido meticuloso, com a regularidade aconselhada, todas as recomendações seguidas com rigor, os exames complementares adequados, a vigilância ecográfica habitual dos parâmetros biométricos e morfológicos do feto, a medicação cumprida e as prescrições nutricionais observadas. A normalidade de todos os parâmetros, o passar do tempo sem complicações, a felicidade na face da futura mãe, tornavam serena e deliciosa aquela espera pela chegada do filho e do neto.

O Nuno nasceu de parto eutócico, às quarenta semanas, peso de 3,5 Kgs, 50 cm de comprimento. Chorou de imediato, começou a mamar pouco depois e a observação pediátrica foi como se esperava, o exame físico era perfeitamente normal. Pais e avós, felizes, finalmente “graduados” nas respectivas categorias pelo seu bebé.

Aqueles dias na maternidade são preciosos para a família. Sob o olhar atento e sob a vigilância e orientação dos profissionais, os “recém-graduados”, dão os primeiros passos no desempenho do papel que lhes ocupará a vida daí por diante.

Lá em casa tudo preparado, ensinamentos bem presentes, todo o apoio necessário, a tranquilidade própria das felicidades imensas.

Do programa fazia parte a “picada do pé” e pelo oitavo dia o Nuno foi à maternidade fazer a colheita para o rastreio neo-natal. Os pais estavam felizes, orgulhosos da sua independência no cuidar do Nuno, ansiosos de mostrar isso mesmo aos profissionais.

- Tudo bem?
- Tudo óptimo. Só apareceram ontem umas borbulhas aqui no peitinho mas de resto tudo bem.
- Umas borbulhas? Vamos despir e ver.

Pústulas, no tronco sim ,mas também na face, no couro cabeludo, nos braços.

- Mas ontem só tinha no peitinho.

O aspecto não deixava dúvidas, uma possível infecção estafilocócica, impunha que o Nuno fosse internado para fazer estudo adequado, tratamento por via endovenosa. A sua idade não permitia outra decisão.

Os pais compreenderam que seria algo para alguns dias, estava tudo tão bem, uma pequena complicação.

O grande Hospital meteu medo. Tanta coisa, súbita e inesperada, tanto bebé tão pequenino e frágil, tanta máquina. O Nuno era grande, felizmente, e não estava ligado àqueles aparelhos todos.

- Temos que repetir as análises do Nuno. Discutiu-se na visita…
- Tem uns valores “estúpidos” de ureia e creatinina. Ele está tão bem….

Repetiu-se e confirmou-se. Uma ureia de 156 mg/dl e uma creatinina de 4,89 mg/dl, num recém-nascido são absolutamente invulgares e de inspirar a maior das preocupações em relação à função e sobrevida renal.

Mais exames complementares e diagnostica-se: insuficiência renal crónica congénita por displasia renal. Vistos e revistos os exames pré-natais, liquido amniótico sempre de volume normal, rins presentes bilateralmente, sem dilatações da árvore excretora, bexiga normal.

A médica informa os pais, ciente da gravidade e preparada para a avalanche que estava prestes a desencadear.

- Insuficiência renal? Ureia, creatinina altas? O que é isso? Foi por causa das borbulhas? Não? Então, se não fossem as borbulhas…

- Sim, só o saberíamos dentro de alguns meses quando o Nuno adoecesse com vómitos, ou não crescesse…

- Mas porquê nós? Não pode ser! A negação. A rejeição.
- O que é que eu fiz? Eu segui direitinho tudo o que os médicos disseram! A culpa
- Porque é que o médico não viu isso? A culpa
- O que vai acontecer? O medo. O desconhecido.
- Diálise e transplante? Nesta idade? É possível? Quando? O medo. O desconhecido

A médica colocou aos pais todos os cenários. Questionaram-se em conjunto. Qual seria o menos mau?. Se se tivesse diagnosticado precocemente na gravidez o problema do Nuno, nasceria ele? Se diagnosticado mais tarde, como teria decorrido aquela gestação carregada pela ansiedade da incerteza na sobrevida fetal? E tudo isso comparado com a situação presente?

Mas o Nuno está ali, aparentemente tão bem. Benditas borbulhas, fez-se um diagnóstico mais precoce, pode-se intervir desde já. E há soluções!

- O que podemos fazer? Como podemos ajudar? A aceitação, por final.

A Internet! É isso, a fonte de todas as certezas e de todas as soluções.

A mãe navegou, navegou, informou-se, subscreveu o nephkids, lista para pais de crianças com doença renal moderada por um estudante de medicina, ele próprio transplantado renal. Pais de todo o mundo trocam impressões e informações, ajudam-se, confortam-se.

A médica, meia intrusa, lurker, segue as mensagens do nephkids, diariamente. Aprende a reconhecer o tipo de dúvidas possíveis dos pais, regista o que é útil para outros pais que não navegam em coisa nenhuma. Leu e reconheceu as questões postas pela mãe na lista e a assinalável capacidade de exposição do quadro clínico. Em silêncio, seguia curiosa as respostas, contente com a iniciativa da mãe.

No dia seguinte e em todos os dias seguintes, sorria com uma meia cumplicidade gerada por aqueles encontros nocturnos insuspeitos, antecipando a reacção da mãe à confrontação entre as respostas na Internet e a sua prática.

De todo o mundo e do nosso País a mãe recebeu testemunhos de casos semelhantes ao Nuno. Sim, muitos com passado pré-natal insuspeito. Aquele americano (como é possível, lá?) foi diagnosticado pelos 8 meses quando o peso e comprimento não progrediam. As mães do nephkids tranquilizaram a mãe. Os seus médicos estão a fazer tudo o que deve ser feito…

Confortada com a aprovação no teste da ciberavaliação, a médica escreveu `a mãe, cumprimentou-a pela qualidade da exposição do caso do Nuno e pela atenção recebida da lista.

Desfez o embaraço da mãe, os médicos já estão habituados…a nephkids é uma boa lista, bem moderada, pode e deve continuar, é muito útil. O Messenger? Sim, concerteza, podemos, junte-me lá aos seus contactos. Quem não agradece ao Sr Bill Gates tal benefício? Será que é ele que merece as honras? Nós, “ignorantes anónimos” da informática, desconhecemos os verdadeiros pioneiros como Steve Jobs...

A partir daí, médica e mãe partilham momentos em noites de conversa, que se alarga para lá do que rodeia a saúde do Nuno. No espaço virtual quebraram as barreiras do espaço real, desapareceram a mãe e a médica, ficaram as amigas. Há “Nunos” capazes de coisas assim. Os nossos pequenos doentes, “mini” e às vezes “micro”, podem gerar “macro” atitudes e iniciativas. São os nossos “micro-macro”, quem os não tem no espaço pediátrico?

O diagnóstico ecográfico pré-natal de uropatia malformativa tem cerca de 20 anos. É muito pouco tempo para que esteja totalmente esclarecido se pelo facto de se identificar alterações morfológicas in útero, se consegue determinar a natureza e o significado dessas situações ou mesmo interferir na evolução natural das anomalias detectadas.

Assumem particular relevo, neste contexto, as dilatações da pelve renal, muito frequentes, com uma prevalência aproximada de 4,5 % das gestações. Estas não são uma entidade patológica no sentido restrito mas antes um sinal ecográfico já que podem ser a expressão de um fenómeno transitório ou associar-se a refluxo vesico-ureteral ou obstrução incipiente, entre outros. Sabe-se que menos de 10% destes casos vêm a justificar no futuro procedimentos invasivos designadamente cirúrgicos.

A dúvida em relação aos diferentes e possíveis significados destas dilatações, tem causado e permanece como motivo da maior controvérsia na comunidade científica. Como sempre, o que sobra em dúvidas para os médicos, amplia-se em ansiedade para os pais.

A grande questão actual é saber se se justifica preconizar a realização de exames invasivos, como urografia, cistografia, exames de medicina nuclear, análises, em todas ou algumas destas crianças e ainda submetê-las a profilaxias prolongadas com eficácia ainda não comprovada.

Mais ainda, optar por procedimentos invasivos em crianças totalmente assintomáticas transformadas em doentes à luz dos resultados de exames complementares e envidar por procedimentos invasivos de indicação questionável, quantas vezes por força do marketing científico, de opinião ou mesmo comercial.

O Nuno não tinha qualquer dilatação ecográfica pré-natal e a sua situação é preocupante, das extremas, embora rara. O diagnóstico pré-natal, no seu caso, alteraria o prognóstico? Não. As lesões foram instaladas precocemente in útero e são irreversíveis, como se sabe, pela sua natureza displásica.

Ao contrário, a maior parte das ectasias piélicas não tem significado patológico. Nas que o tiverem a intervenção pós-natal pode interferir na evolução, designadamente pela correcção de obstrução ou diagnóstico e tratamento precoce da infecção urinária, se associada.

Mais do que a dilatação piélica isolada e a sua magnitude, interessa saber reconhecer as dilatações que têm probabilidade de se associar a patologia importante nefro-urológica designadamente as que acarretem risco de compromisso funcional renal como a obstrução. E ter o senso de solicitar o mínimo de exames necessários para o respectivo esclarecimento. Envolver sempre os pais nas decisões como preconiza a Academia Americana de Pediatria na sua secção de Urologia Pediátrica.

Saber e senso, como em tudo.

Os protocolos são úteis. Não podem, todavia, constituir substituto cómodo para o saber e o senso.
Há-os para todas as possibilidades. Estudo pós-natal alargado se as dimensões piélicas forem iguais ou acima de 10mm (protocolo nacional) 15mm (protocolo espanhol) ou 20 mm (reino unido), para já não mencionar as indicações de sim ou não à profilaxia e da duração variável. Os protocolos têm variado ao longo dos anos à medida que a experiência tem conferido segurança e confiança aos clínicos e sempre no sentido de alargar as dimensões para lá das quais se intervém. Como serão daqui por mais 20 anos e qual será o julgamento que nós ou outros, faremos da nossa actuação presente?

Ao estudo indiscriminado, cego, opõe-se e impõe-se a individualização das atitudes com

saber e senso porque, como escreveu Gregório Maraňon

A verdade, a que parece mais firme, não é mais que
o esboço duma verdade mais acabada mas que nunca está completa de todo,
e só assim deve ser interpretada e julgada.


Criança e Rim

1 de Junho - Dia Mundial da Criança

Nunca é demais relembrar os Direitos da Criança:


Contribuição da Prof. Helena Jardim

31 de maio de 2007

A propósito do Dia Mundial Sem Tabaco, recebemos a seguinte contribuição da Prof. Helena Jardim:

"A OMS classifica o tabagismo como uma doença e mais, uma doença e epidemia pediátricas. Cerca de 90% dos fumadores iniciaram a doença antes dos 18 anos de idade. A criança é particularmente exposta e sensível ao fumo passivo e é também do conhecimento comum que crianças com pais fumadores têm maior risco de virem a ser também fumadores.

O tabagismo é uma doença. Felizmente tem tratamento. Mas, como sempre, é mais fácil de prevenir."

31 de Maio - Dia Mundial Sem Tabaco

«Criar com prazer ambientes 100% livres de fumo - 0% de fumo, 100% de liberdade»

A propósito do Dia Mundial Sem Fumo, a Organização Mundial de Saúde lembra as mortes pelo tabagismo e recomenda a total proibição do fumo em locais públicos e no trabalho.

Ler notícia.

Conheça as iniciativas.

Pense na sua Saúde.
Pense na Saúde dos outros
Não fume.
Proteja os seus rins.

Mulher vai escolher em directo quem irá receber os seus rins num reality show na Holanda

30 de maio de 2007

Ler notícia.

A ideia do programa de televisão, por si só, é repugnante. Mas parece já estar a dar frutos! Segundo esta notícia, o impacto do programa levou o comissário europeu para a saúde, Markos Kyprianou, a anunciar hoje uma nova estratégia da União Europeia para combater a escassez de órgãos para transplante.

Site sobre Diálise Peritoneal

29 de maio de 2007

Encontrei este site sobre Diálise Peritoneal, totalmente em Portugês.

É patrocinado pela Fresenius, mas penso que todas as famílias que lidam com a diálise peritoneal (independentemente da empresa que forneça os materiais) podem aprender um bocadinho com este site.

História do Gonçalo

28 de maio de 2007

O Gonçalo nasceu no dia 17 de Setembro de 2003, após 9 meses de uma gravidez perfeitamente normal. O choque foi total quando, por mero acaso, soubemos, durante a primeira semana de vida que sofria de uma grave doença renal, que mais cedo ou mais tarde implicaria a diálise e/ou transplante. A doença foi detectada no seguimento de umas análises ao sangue para despistagem de uma possível infecção que estaria a surgir na pele. Foram feitos mais alguns exames complementares e o diagnóstico foi Insuficiência Renal Crónica (IRC) congénita por displasia renal bilateral (rins mal formados). Quis o destino que só o soubéssemos nestas circunstâncias e, por um lado, ainda bem, já que pudemos tratar desde logo a IRC e evitar a diálise durante algum tempo. Este momento, que jamais esqueceremos, foi como se caísse uma montanha sobre nós. Tínhamos entrado no hospital com um bebé supostamente saudável e, de repente, um diagnóstico tão aterrador. Um turbilhão de sentimentos apoderava-se de nós. O medo do futuro, a angústia, o desespero, desilusão, tanta incerteza…

A doença não tardou muito em manifestar-se. Começou pela falta de apetite (não querer mamar), os vómitos, que ao início pensava serem aqueles simples bolçar dos bebés, as disfunções electrolíticas, etc. Começou desde então a tomar medicamentos para corrigir estas disfunções, bem como suplementos nutricionais para compensar a falta de apetite, os quais eram misturados com o leite.

Desde o dia em que nasceu que posso afirmar com muita certeza (pelo menos até ao transplante), que foram poucos os dias de vida em que o Gonçalo não tivesse vomitado vezes sem conta, mas nós, com mais ou menos paciência, nunca desistimos… Sabíamos que tínhamos de fazer o possível e o impossível para evitar que se concretizasse a ameaça da sonda nasogástrica para o alimentar, e que pairava no ar desde que ele nasceu. O apetite… Nunca soubemos o significado dessa palavra com o nosso filho. Tínhamos de o alimentar quase à força, não havia nada que gostasse a não ser água. Enquanto mãe, um dos meus maiores desejos sempre foi amamentar e foi extremamente difícil aceitar que o meu filho até o meu leite rejeitava. Mas não desisti, passei os meses que me foram possíveis a extrair o leite com uma bomba e a dar-lhe sempre como prioridade. Depois, haviam os medicamentos a várias horas, os suplementos, mais tarde as injecções da Eritropoietina, etc. Conseguimos evitar a diálise até aos 15 meses de idade, quando de repente, o Gonçalo começou a rejeitar completamente a comida, apenas bebia água e pouco mais. Estivemos assim mais de uma semana. Até que chegou o inevitável, a diálise. Ainda hoje me lembro desse momento como sendo dos piores momentos da minha vida… Confesso que me custou mais ouvir isso (talvez porque nesta altura já estava suficientemente informada para saber aquilo que iríamos passar), do que ouvir, quando lhe foi diagnosticada a IRC, que mais cedo ou mais tarde a solução para o seu problema passaria pela Diálise e Transplante. No fundo, na fase inicial havia sempre a esperança, a esperança de que a natureza eventualmente se encarregaria de corrigir aquilo que na gestação tinha corrido mal.

No dia 7 de Fevereiro de 2005 foi colocado o cateter de Diálise Peritoneal. Felizmente tudo correu bem e foi possível avançar com este tipo de diálise. Tive formação durante sensivelmente uma semana para aprender a manusear todo o equipamento e, aos poucos, a nossa casa tornava-se num mini-hospital. Eram as máscaras, os líquidos, os cuidados extremos com a higiene ao preparar a diálise, os pensos, etc. Os resultados foram tardando a chegar, o apetite não melhorou e tivemos de fazer outra opção, de igual modo muito difícil, que foi a colocação da sonda nasogástrica (em Março de 2005). Hoje, por muito que me custasse vê-lo naquela situação, reconheço que foi a melhor decisão que tomámos. Passado pouco tempo, iniciamos a alimentação entérica nocturna, em que, através de uma bomba de perfusão, é administrado leite (ou outro tipo de alimentação líquida) em quantidades muito reduzidas, controlado pela máquina. Esta alimentação permitia-lhe ingerir calorias adicionais, que de outra forma não conseguiria. À noite, tínhamos de o ligar à máquina da diálise e, simultaneamente, à bomba de alimentação, pelo que eram fios por todo o lado, alarmes constantes das máquinas, enfim. Aos poucos, nós próprios e ele íamo-nos adaptando à sua nova condição.

Devo dizer que, infelizmente, constatei que o Estado não estava disposto a ajudar estas crianças, que muito precisam de apoio nutricional. Começando pelos suplementos nutricionais, não comparticipados e a um preço acessível a muito poucos, até às próprias bombas de alimentação insuficientes para o número de crianças que delas necessitam. Depois, os próprios sistemas descartáveis, utilizados nas bombas, que tinham de ser mudados a cada 2/3 dias, com cada um a custar cerca de 3 €. O próprio apoio médico nutricional tive de o procurar fora da rede hospitalar pública, já que o do hospital era mais que insuficiente. No entanto, olhando para trás, não me restam dúvidas que, foi sobretudo esta vigilância e seguimento nutricional rigoroso que nos permitiu tê-lo em tão bom estado para a grande cirurgia que esperávamos não tardar. Efectivamente, ele começou a ganhar peso, a crescer melhor, não apresentando grande atraso face a uma criança saudável da sua idade. Essa era a nossa grande motivação, além da esperança que tínhamos na melhor alternativa possível para o seu problema: o transplante. O nosso objectivo foi sempre evitar a diálise e fazer o transplante quando surgisse a necessidade da diálise, mas infelizmente, quando surgiu esta necessidade ele ainda não tinha o peso “mínimo” dos 10 Kgs.

A partir daí o nosso objectivo foi fazer o transplante o mais breve possível e nas melhores condições possíveis. Dado que o melhor rim possível é o de um dador vivo, não tive dúvidas que essa seria a nossa opção, se algum de nós fosse compatível. Iniciei logo que me foi permitido os exames para averiguar da nossa compatibilidade, que se revelaram positivos. O meu marido nem iniciou esses testes uma vez que possuía cálculos renais que o excluíam. Informar era a palavra de ordem e, aos poucos, fomos percebendo que em Portugal não seria possível transplantá-lo com a brevidade que pretendíamos e, por outro lado, que não havia experiência de transplante de dador vivo em crianças de baixo peso. Assim sendo, o Gonçalo foi colocado em lista de espera de cadáver (embora de forma condicional, devido a uma nefrectomia bilateral que era suposto fazer).

Entretanto, surgiu a hipótese de irmos a Madrid, ao Hospital La Paz, que sabíamos ter muita experiência em transplantes, sobretudo com crianças pequenas. E assim foi, ao fim de sensivelmente 5 meses tínhamos a data do transplante: 10 de Maio de 2006. O Gonçalo recuperou de forma incrível, surpreendeu tudo e todos com a sua força. Ao fim de 4 dias eu tive alta e ele ao fim de 9. Felizmente tudo correu maravilhosamente bem e é inexplicável a alegria que sentimos ao vermos o nosso filho começar a comer ao fim de tantos meses pela sua própria boca. Parecia um verdadeiro milagre. Ele recuperou imediatamente o apetite, embora tivesse de usar a sonda por mais três meses, sobretudo por questões de ingestão dos líquidos suficientes para manter uma boa hidratação. Hoje é uma criança com uma vida o mais normal possível, super feliz e bem disposta. Actualmente toma 4 medicamentos por dia e faz análises uma vez por mês. Quanto a mim, sinto-me exactamente igual a quando tinha os meus 2 rins e faria exactamente o mesmo para melhorar a qualidade de vida do meu filho.

Só quem passa pela experiência de ver uma criança com Insuficiência Renal Terminal passar pelo transplante consegue “valorizar”, se é que isso é possível, a melhoria da sua qualidade de vida. Já sabemos que o transplante não é a cura, mas sem dúvida, que é a melhor opção de tratamento possível.

Os médicos demoram em média 17 anos a aplicar uma nova descoberta científica

26 de maio de 2007

Uma notícia que dá que pensar...

Ler aqui.

Sabia que... Pode reduzir a dor e a ansiedade relacionadas com as "picas"?

25 de maio de 2007

Embora já exista há bastante tempo, sei que esta técnica ainda não é utilizada com a regularidade desejada. Refiro-me à possibilidade de se anestesiar temporariamente a zona que vai ser "picada", quer seja para retirar sangue para análises, quer seja para administrar injecções ou colocar acessos IV.

Os nossos meninos, em média, realizam análises uma vez por mês, mas em determinadas situações, pode ser mais frequente. O meu filho, por exemplo, e como aqui já foi referido, recebe uma injecção diariamente. Felizmente, foram poucas as vezes que esteve internado com necessidade de medicação intravenosa, mas também já aconteceu, e a primeira delas era ainda um bebé prematuro. Um bebé ou uma criança pequena não compreende porque é que tem que ser picado. Não compreende porque é que os pais, supostamente os seus melhores amigos, o "empurram" para essa situação. Porque é que os pais não os defendem. Mesmo para nós, que compreendemos a situação, é horrível assistir (e colaborar) no sofrimento de um filho.


Felizmente começam a ser criados produtos que podem ajudar nesta situação. Penso que em Portugal o mais utilizado é o EMLA. Em Portugal, o EMLA existe em duas apresentações: creme e penso impregnado. O preço aproximado é de 6€ por dois pensos, mas muitos hospitais facilitam o seu fornecimento. Não se esqueça de pedir ao seu médico ou enfermeiro, na próxima visita ao hospital!!

Noutros países existem outros produtos, com acção mais rápida e forma de aplicação mais prática, como sprays. Resta-nos aguardar que cheguem a Portugal!

Criopreservação: Sim ou Não?

24 de maio de 2007

Afirmações controversas do Dr. Manuel Abecassis, presidente da Organização Portuguesa de Transplantação e Director da Unidade de Transplante de Medula Óssea do Instituto Português de Oncologia, em Lisboa.

Estas afirmações foram proferidas no Congresso Português de Medicina da Reprodução e referem-se à criopreservação, isto é, a preservação das células estaminais do cordão umbilical imediatamente após o nascimento de um bebé, com a esperança de que possam servir mais tarde para curar determinadas doenças de que esse bebé/pessoa possa vir a padecer.

Leia aqui a notícia.